O aspirante a blogueiro se apresenta e se despede
Saturday, January 30th, 2010Segundo informações enviadas pela minha (prestativa e atraente) assistente em assuntos diversos, que ficou em terra, Barbados é um país soberano, com cerca de 240 mil habitantes, governado por um primeiro-ministro e parlamento. À moda dos ingleses, seus colonizadores, a chefe de estado é a rainha Elizabeth. A ilhota teve sua pujança econômica, enquanto colônia, baseada na cultura da cana-de-açúcar e, independente desde 1966, busca viver do turismo, principalmente de americanos e europeus. A vasta maioria da população (cerca de 90%) é de negros e fala-se inglês, além do dialeto que não se decodifica facilmente. O clima é ameno e suas praias têm areia branquíssima e águas azuis e calmas. Como é a ilha mais oriental do Caribe, portanto a primeira de quem vem da Europa ou da América do Sul, é preferida pelos velejadores que cruzam o Atlântico (como foi o caso do Casulo). Como de praxe, alguns já conhecidos do João Carlos vieram visitar tão logo chegamos: um casal de neozelandeses e um irlandês, além de um belga, todos circundando o mundo separadamente. Tive a idéia com Ivan de gravar o depoimento destes formidáveis viajantes — vida, profissão, família, trajeto de viagem, medos, futuro. Daria, sim, cara Solange, um documentário fantástico, mas faltou-nos energia. Tivemos, confesso, boas idéias e tempo para tal, mas deixemos para outro pit-stop. So sorry.
Depois de ter desancado ontem meus raros e inarredáveis leitores, mandando-os ler blog de terceira, busquei curar minha ressaca com a sessão de bodyboarding promovida pelo capitão. Os mais jovens vibraram, mas entrou tanta água do mar pelo meu nariz, que meu rosto ficou mais “hibratado” na pressão. Foi, entretanto, divertido. Hoje alugamos um carro para explorar a ilha — estradas estreitas, casas pobres e mansões, condomínios em praias recônditas, restaurantes charmosos. Almoçamos num à beira-mar (óbvio) e a posta de peixe grelhada estava divina. No mais, a Lua hoje está cheia, inchada; e acabou-se o rum para me dar coragem para mergulhar no mar, depois de esquentada a goela.
Findas estas duas inesquecíveis semanas, espero ansiosamente reencontrar-me com minha cama em Fortaleza, que me espera com lençóis e travesseiros abertos. Quero rever meus livros, minhas toalhas, meus CDs e DVDs. E as manias de rapaz velho não tardarão a ser retomadas, vero. Mas quero aqui agradecer novamente aos caros amigos Solange e João Carlos pelo fantástico convite desta viagem, que inicialmente me tirou o sono, mas não poderia ter saído melhor. Há cerca de vinte dias, jamais imaginava que minhas férias terminariam assim, tão memoráveis. Registre-se aqui também a alegria do convívio com os tripulantes, e agora amigos — João, Beto, Ivan, Joselle e Lui —, parceiros de biritas, brincadeiras e explorações náuticas.
A tripulação só não ficou completa porque faltou a bordo a amiga e competente filóloga teuto-hispânica Alice MacDow, que presta importante colaboração na tradução que faço de “Os Lusíadas” para o maori erudito. We all missed her. Como já disse aqui, no domingo (31/jan), Ivan, Lui e eu voaremos de volta para o Brasil, com pernoite em Caracas. Neste mesmo dia, Solange e filhas, mais Fernanda (mulher do Beto), chegam ao Casulo. Com sua reconhecida boa energia e competência, a mulher do capitão em breve retomará o timão do blog. Não desertem, pois.
Para finalizar, alguns leitores que adoram fuxicar sobre a vida alheia cobraram minha apresentação quando os demais o fizeram aqui há alguns dias. Bem, posso dizer que, enquanto o Casulo leva, mundo afora, os meus e os seus sonhos, sou apenas um cara que jogou âncora em Fortaleza e vem tentando evitar que seu barquinho de papel não afunde na piscininha da praia do Futuro.
Até outro dia.
Um beijo e um queijo.
