Uma família brasileira pelo mundo

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Adeus Grécia, Ciao Itália!

Friday, July 3rd, 2009

Escrevo do meio do mar Jônico. Acabamos de cruzar a linha imaginária que separa Grécia e Itália. Já estamos velejando há 34 horas. Non-stop. E ainda faltam mais 26 horas pela frente. Mas depois de metade do caminho percorrido, a segunda metade é de fato ladeira abaixo. O grande acontecimento do dia foi uma tartaruga marinha que vimos flutuando despreocupadamente.
DSC08830 As horas parecem arrastar-se enquanto velejamos e fico pensando como iremos aguentar as longas horas dos muitos  dias a mais que nos separam do Caribe. De certo, que nos acostumamos com tudo eventualmente. Mas ficar tantas horas mareada e tendo que levar uma vida normal vai ser uma grande conquista.
Hoje também QUASE pegamos o nosso primeiro peixe. O Capitão havia passado a noite acordado e exausto foi dormir às 6 da manhã quando o Ivan assumiu. Às 10 horas ouvimos o barulho no molinete. Tzimmmmm! Ivan reduz o motor e eu corro para acordar o capitão que pula sobressaltado. Mas as ordens eram: “Só me acordem se tiver uma baleia na nossa rota de colisão ou se um peixe morder a isca.” Ordem cumprida! Quando o João vai para a linha já não tinha mais tensão alguma. Mesmo assim, ele resolveu puxar e ver o que aconteceu. Na última vez que o anzol foi beliscado, ele quebrou de tão enferrujado que o peixe escapou. Puxa linha, puxa linha, puxa linha para ver um saco azul sendo arrastado! Que decepção! Ficamos curtindo dizendo que aqui no mediterrâneo, o peixe já vem embalado!

This is as good as it gets…

Thursday, June 4th, 2009

Nada como encontrar uma boa ancoragem depois de uma velejada desconfortavel. A previsao era de vento vindo do sul, ideal para subir para as ilhas mais ao norte da Grecia que nesta epoca do ano sempre tem como vento prevalecente o meltemi, o famigerado vento do Norte que reina no verao. O capitao organizou tudo para sairmos as 17h da tarde para que pudessemos passar o dia no hotel Seagarden na Turquia, uma superestrutura preparada para receber alemaes. Todos os funcionarios turcos falavam alemao. O hotel, sem campo de golfe, tem tres restaurantes, dois bares, um espaco para shows, um mini bazar, um shopping, um health center, uma academia, um clube de criancas, um centro de esportes nauticos e centenas de empregados com sorrisos prontos para atender aos desejos dos hospedes. Ganhei uma massagem! Merecida. Havia ateh esquecido o que eh ter um tempo soh para si. Sai revigorada e consegui inventar em 20 minutos um lanche com pao pita integral, espinafre, feta e alho que foi aprovado pela tripulacao. Seguimos viagem as 18h com o sol ainda alto e o vento ainda fraco. Pela previsao meteorologica, o vento ia pegar as 22h e quando a noite caiu, o vento de fato chegou. Durou pouco porem e foi inconstante. O Joao ficou ligadissimo no barco e nao parava de ajustar as velas para aproveitar a forca eolica. Ficou 12 horas de plantao! Eu tentei ao maximo ficar do seu lado mas o sono me venceu por duas vezes e tive que capitular. O Ivan ainda ensaiou de ficar junto, acordou no primeiro chamado as 23h, levantou soh para dormir sentado na mesa da sala! Joao foi excepcional e comandou o barco com habilidade ateh chegarmos em uma ancoragem na ilha de Fourni, na Grecia. A noite foi cheia de acao com transito intenso de cargueiros, navios cruzeiros e barcos de pesca.
O calculo para ancorar tem que ser feito levando em consideracao provaveis mudancas de vento que podem fazer o barco pivotar 360 graus. As 9, pulei da cama e avisei para o Joao da mudanca do vento e como o barco estava pertinho da praia. Nesta hora, nao tem cansaco, nem sono, tem que criar energia para puxar o barco e procurar um lugar mais seguro. Enquanto saia, o Joao estava lendo o pilot book (um livro especializado em descrever baias, praias e alternativas de ancoragem). Nao havia recomendacoes para a ilha de Fourni adequadas para aquele vento. Alem disto, havia baias com cabos submersos aonde a ancoragem era proibida e outros pontos com bases militares nas quais veleiros tambem nao sao benvindos. E agora? Decisao era seguir para Samos ou aproveitar o vento e subir ateh a ilha de Chios. Vamos velejar quanto mais norte possivel!!! decide o capitao.
Vento forte na popa do barco fez o Casulo voar a 10 nos por hora. O velejo foi desconfortavel e passei muito mal. Ficou todo mundo enjoado enquanto o Joao surfava com o Casulo. Seis horas depois, o capitao refletiu e achou que melhor seria voltar para Samos aonde poderiamos atracar mais cedo e curtir um pouco mais a ilha jah que temos a limitacao de voltar no dia 12 para Santorini para encontrar o Olavo e a D. Ednir. Foi aplaudido de pe! Depois de mais 3 horas, voltamos para Samos aonde atracamos no porto publico. O mar estava calmo, mal podiamos imaginar o que viria pela madrugada. As 5 da manha, vem um ferry gigantesco todo iluminado entrando pela baia criando uma marola enorme que balancou o Casulo contra o paredao de concreto causando diversos choques que foram amenizados pelas defensas todas alinhadas no lugar certo. Depois desta quem dorme? Esperamos as criancas acordarem para tomarmos cafe e procurar outra alternativa, quando somos surpreendidos por outro ferry ainda maior que o primeiro causando um disturbio no mar ainda maior. O Joao foi para o cais e ficou ajustando as defensas, que segundo ele chegaram ao maximo da contracao. Ele disse que se eu tivesse lah fora vendo a situacao, teria morrido ou me jogado entre o Casulo e o paredao para minimizar o dano. Ponto de novo para as defensas que ajudaram o Casulo a sair ileso. Nao dava para esperar mais e delegar para a sorte, tinhamos mesmo que sair. Todos os outros barcos comecaram a sair tambem sofrendo com a situacao. O capitao nos instruiu sobre a desatracada e a manobra perigosa para sair do porto. Ivan e eu a postos, soltando as amarras e segurando as defensas para qualquer eventualidade. Como jah tinhamos tido o problema na saida de Kos, quando puxamos a corda mais longa e o Casulo ficou preso quase batendo no cais, ficamos muito mais ligados desta vez e ensaiamos mentalmente todos os passos e acoes caso algo desse errado. Os motores foram ligados a toda para nao dar chance ao acaso. Ufa! A velejada agora foi uma valsa. O Casulo deslizava macio pelas ondas com vento soprando gentilmente de popa acelerado pela corrente visivelmente favoravel. Foi a primeira vez que apreciei o velejo. Todos estavam tranquilos depois de tantos sufocos sucessivos. As criancas ouviam musica com o Ivan e nem viram o tempo passar quando encontramos esta baia idilica e deserta no leste da ilha de Samos. Tripulacao sai para explorar e eu fiquei soh a bordo fazendo o jantar e arrumando o barco. Estava feliz. O silencio na baia era quebrado apenas por passaros que cantavam ao longe. A lua subia alta e nem precisava estar completamente cheia para suavemente romper a escuridao. jantamos a luz de velas para economizar energia e fomos dormir cansados e satisfeitos.

Atracando sem motor e sem vento em Sotogrande

Tuesday, February 17th, 2009

Sotogrande

Upload feito originalmente por The Limas

Depois que o nosso motor elétrico falhou em pleno estreito de Gibraltar, tivemos que contar com o sopro de vento que havia para nos levar até um recanto mais seguro na costa espanhola. Foram 7 horas para andar quase uma milha náutica. Quando o profundímetro marcou 12 metros, o João me mandou soltar a ancôra para garantir que, pelo menos ali, não estaríamos mais a deriva. A noite foi toda de angústia e atenção. Como rebocaríamos o barco? Como consertaríamos o motor? Cedinho, o João pegou o dinghy e foi até a baía mais próxima, um vilarejo de pescadores para pensar em uma solução. Apesar da profundidade, a ancoragem foi segura o suficiente para garantir a nossa permanência na mesma posição. Daquela vila de pescadores, não saíria nada… O João teve então a idéia de rebocar o Casulo com o dinghy, comigo na direção. Imagina! Fazer o quê, é? Vento zero, sem motor. Tínhamos que nos virar. Ele rebocou por quase 5 horas o grande Casulo até chegarmos em Sotogrande. Perto da chegada, uma lancha inglesa se solidarizou e se ofereceu para nos rebocar. Mal acreditamos quando conseguimos atracar na marina de Sotogrande sem motor!

Por que se mede a velocidade dos barcos em nós?

Tuesday, February 17th, 2009

“Por causa de um método primitivo que media a velocidade por meio de corda marcada com nós.”

Por mais óbvia que esta resposta possa parecer, poucos param para pensar o porquê. Antes de toda estes equipamentos sofisticados, os navegadores precisavam avaliar o desempenho do barco para calcular o tempo de deslocamento, para comparar com a velocidade de outro barco e para mensurar a sua performance nas diversas condições.

“Os primeiros barcos a viajar em alto-mar eram dotados de uma espécie de velocímetro bastante primitivo. Consistia em uma corda com uma das extremidades amarrada numa espécie de prancha pesada de madeira, e a outra a um cilindro, também de madeira. Essa corda era marcada com nós em intervalos regulares de 14,3 metros. Quando o barqueiro desejava saber a velocidade da embarcação, a prancha com a corda atada era lançada ao mar.

Com o barco em movimento, a água freava a prancha, o que fazia com que a corda, amarrada ao cilindro que permanecia no barco, fosse desenrolando. Com a ajuda de um relógio de areia, o barqueiro observava quantos nós se desenrolavam em um determinado período de tempo.

Estava definida a velocidade. Atualmente, esse método rudimentar não é mais usado, mas a palavra nó continua a ser utilizada para a medição da velocidade dos barcos. Um nó, nos dias atuais, equivale a uma milha náutica, ou 1,852 quilômetros, por hora.”

fonte: Revista Superinteressante