Turquia em processo de mudança
Thursday, April 30th, 2009Foi impressionante a nossa visão do interior da Turquia. Ninguém tinha idéia do que era este país. Estava lembrando com o João quando chegamos aqui há seis meses atrás, eu estava apavorada por ser tão desconhecido e tão distante da nossa realidade. A língua, os costumes, a religião, o papel da mulher, a culinária mas como todos as coisas, quando a gente quer mesmo entender é só estar aberto e ter vontade e persistência que eventualmente acaba acontecendo. Demorou conosco pelo nosso isolamento na marina que não permite ver nem fazer nada que não seja sobre barcos. Neste ponto, a saída foi ótima! Nos 1000 kilometros que tinhamos pela frente, peguei o “Lonely Planet” e um outro livro sobre a Turquia e fui lendo alto para o João enquanto íamos testemunhando pela estrada a realidade. A Turquia é um país novo. Só após a Primeira Guerra Mundial é que o império Otomano foi definitivamente extinto e ela surge como um país liderado pelo estrategista de guerra Mustafa Kermal, conhecido hoje como Atatürk, o pai dos Turcos. Quando Mustafa Kermal assumiu o poder de um país em frangalhos assumiu as vezes de ditador e reformou tudo como ele acreditava mehor para o país. O alfabeto romano ao invés dos manuscritos árabes, a adoção do calendário Gregoriano, o instituição do voto universal, a imposição da adoção de sobrenomes que os turcos não usavam anteriormente, a reforma jurídica, tudo foi pensado e reformado por Atatürk. Sua idolatrização é um fenômeno. Em todas as escolas, sua imagem está exposta em grandes bandeiras, lado a lado com a bandeira da Turquia. Ele está presente em todas as notas (ver lira turca), em todos os prédios e monumentos públicos. Sua imagem é onipresente como nunca havíamos visto algo igual, isto porque ele morreu em 1938. Mas como seu sucessor era seu grande amigo e aliado, fez todo um trabalho para aliar a imagem de Atatürk ao sentimento patriota e assim permanece até hoje.
Apesar de estar fora da Comunidade Européia e não receber os abundantes recursos como Portugal e Grécia, a Turquia está como uma economia relativamente estabilizada e como recursos próprios está investindo em infraestrutura. As estradas que viajamos se não fossem faixa dupla, estavam em processo de construção. Vimos obras em todos os lugares. Ao mesmo tempo, sentimos também construção civil em alta neste país com construções de vários prédios para habitação popular. Apesar da pobreza, não vimos uma favela. Estas obras são fundamentais de acordo com o governo atual para que a Turquia esteja em um patamar mais competitivo.
A educação ainda é um problema aqui na Turquia e pelo que conversamos a educação pública ainda deixa a desejar. O que vimos no meio da tarde, foram crianças de terno (pasmem!) voltando para suas casas nas zonas mais remotas carregadas de livros nas costas sendo transportadas por ônibus escolares. O uniforme dá um sentimento de orgulho e também vai cirando uma nova identidade para as crianças.
Ainda vimos no interior (restaurantes em beira de estrada revelam tudo!) banheiros sem vaso sanitário aindo se faz ainda de cócoras. As mulheres invariavelmente usam cháles para cobrir os cabelos e sempre andam atrás dos homens. Vimos muitos lugares só frequentados por homens e muitas mulheres trabalhando sozinhas no campo. Os homens provavelmente estavam em algum lugar jogando gamão e tomando chá turco enquanto conversam sobre política e futebol que aliás aqui é uma mania nacional. Quando dizemos que somos do Brasil, invariavelmente eles respondem em ladainha: Brasília? Alex de Souza, Roberto Carlos, Zico… e mais uns nomes de outros jogadores brasileiros que só conseguiram se destacar aqui na Turquia.
O Brasil continua a terra do futebol, do carnaval e das mulheres peladas até aqui na Turquia!






