Nossa expectativa em Martinica era de apenas 5 dias. Consertar o dessalinizador, fazer os exames do João e partir para Dominica. Mas uma vez, coisas foram acontecendo e o rel[ogio foi parando e prolongando nossa estadia por aqui. Tivemos a maior sorte de conseguir um lugar na marina de Le Marin na frente de uma família francesa/alemã. Sabe aqueles encontros ao acaso que se percebe que o outro está na mesma frequência? Thierry e Chrissy com seus filhos Mael e Elea partiram da França no ano passado e estão fazendo o mesmo percurso que nós em um catamarã Dean da África do Sul. O Thierry levou dois meses para trazer o barco da Cidade do Cabo pois o capitão do barco e o imediato ficaram envenenados ao tratar um peixe durante a travessia. Eles queriam morrer! tiveram que parar em Dakkar para serem socorridos. Um drama para a primeira viagem. Thierry era advogado e como João nunca tinha velejado. Teve o sonho com a família de mudar, planejaram e hoje moram a bordo. As crianças deles falam alemão e francês e as nossas português e inglês mas mesmo assim conseguem se comunicar e brincam muito juntos. Conseguem negociar tudo até em que língua vão assistir um filme!


Thierry e Chrissy se ofereceram para ir com o João fazer os exames. Primeiro foram em um hospital aonde fizeram a consulta. O médico praticamente esmurrou a barriga do João sem conseguir que ele sentisse dor. É uma doença estranha que só se manifesta em crise. Sem condições de diagnosticar, o médico pediu uma tumografia computadorizada. Depois de irem a duas clínicas com a máquina quebrada, João desistiu. A Chrissy que ia apenas para acompanhar, resolveu fazer uma consulta também para investigar uma dor antiga que ela tem na barriga. Quando o médico pressionou com mais força no abdomen dela, ela quase bate no médico! Resultado é que ela terá que fazer uma pequena cirurgia amanhã para detectar o que pode estar causando a dor. Eu e o João nos colocamos no lugar dela, tendo que ficar no hospital e as crianças? Desta vez, foi a nossa vez de nos oferecermos para ficar mais um pouco para ajudar com as crianças enquanto ela tivesse fazendo a cirurgia. Resultado é que o tempo foi passando, a chuva foi chegando e ainda estamos por aqui na Martinica!
Nesse meio tempo, tivemos a sorte de conhecer o Mário que com sua esposa Paula estão também velejando há um bom tempo. Depois de terem certeza que este era o estilo de vida que queriam (Mário deu muita sorte porque a Paula além de cozinhar super bem ainda veleja e faz kitesurf!), resolveram passar para um barco maior e depois de procurar pelo mundo todo o barco certo, encontraram um Lagoon 55 aqui na Martinica. Mário está fechando o negócio enquanto a Paula voltou para a Nova Zelândia para colocar o primeiro Pajé à venda! É um trabalhão principalmente estando os dois separados, mas eles estão dando conta direitinho. O tempo no mar deixou-os descolados e em breve o novo Pajé vai estar delizando por este mar do Caribe. Ele e o João se deram muito bem e o encontro com ele foi mais um presente por estar em Martinica.
Ainda aqui, alugamos um carro e fomos visitar o Santa Paz em outra ancoragem. A brasileirada da Martinica comemorando o domingo de Páscoa! Luana e Marina ficaram radiantes por reencontrar a Clara e a Juju e nós te podermos passar mais um tempo com a Sandra e o Lucas antes deles partirem para San Martin.
Enquanto isto, continuamos fazendo as lições de casa, arrumando o barco, consertando um vazamento que apareceu e estudando a BOVESPA! A Nicole conseguiu decidir a volta para poder fazer o curso para tripulação de superyatchs e conseguir o visto para os EUA no Brasil. Depois de quase perder uma passagem só porque tinha uma conexão em Puerto Rico (em visto americano, brasileiro nem sobrevoa!), ela teve que fazer uma ginástica para encontrar um voo de volta para Fortaleza que fosse menos de 33 horas de viagem.