Marigot Bay – Santa Lucia
Ontem saímos depois do almoço para Marigot Bay. O trajeto foi suavemente feito a motor. Estava na proa do barco conversando com a Nicole sobre inteligência emocional. Como é que a gente faz para dissociar tudo o que se fala e se diz de nós mesmos? Como fazemos para não chegarmos até o outro cheios de pré-concepções? Como aprender a respeitar o outro? Ouvir o outro de verdade? Para que cada um possa contribuir, aprender com o outro ao invés de querer que o outro seja nós mesmos?
Chegamos em uma baía que se transforma em enseadas nos manguezais. O lugar que nos ofereceram uma poita, fica contornado por raízes suspensas de árvores do mangue. O guia já nos alertava dos mosquitos e ficamos apavorados porque nenhuma de nossas gaiútas fecha direito e pelos prognósticos íamos passar a noite em claro sendo devorados por mosquitos caribenhos. ![]()
Paramos do ladinho do Santa Paz e do Planckton, dois veleiros brasileiros que estão também desbravando o Caribe. Ambos tinham a base em Parati e há algum tempo que planejavam uma viagem maior. O Santa Paz pretende chegar a Nova Zelândia via Panamá como nós. O Planckton faz o circuito Açores – Portugal- Espanha – Canárias – Cabo Verde e Brasil. Os dois barcos são capitaneados por skippers altamente qualificados e fazem charters por trechos pré-organizados. É uma experiência inesquecível e riquíssima. Quem estiver querendo passar por uma viagem diferente, deve entrar em contato com eles através dos sites.
Hoje a creche foi no Casulo e tivemos 5 crianças a bordo. Foi uma farra! Fizemos um núcleo de costura com a Clara e a Marina que finalmente tiraram a máquina bacaninha da tia Alice e fizeram miséria com os pedaços de tecidos. A máquina cantava de alegria ao coser os retalhos de feltro colorido. Quem sabe é o começo de uma carreira promissora no mundo da moda!
O outro núcleo era o de história do Ceará aonde Nicole e Luana conversavam sobre a importância de documentos para registrar a história. No outro núcleo, eu fazia massinha de modelar com o Igor de 2 anos e a Júlia de 4 anos enquanto contávamos a estória dos 3 porquinhos e ouvíamos o cd do Sítio do Picapau Amarelo! Em meio a esta algazarra, o João tentava entender os meandros da bolsa de valores. Não podíamos ter um ambiente de trabalho mais animado.
Agora a creche foi transferida para o Santa Paz e eu estou aproveitando para decodificar o OneNote e organizar a minha vida, o planejamento das aulas, o planejamento da viagem, os trabalhos pendentes no barco e os trabalhos que estamos nos propondo a realizar.
Mais tarde, vamos nos encontrar de novo para explorar a vila de Marigot bay e extravasar um pouco da energia desta moçada toda. Sandra do Santa Paz que escreve bonito com sensibilidade redigiu um texto sobre a importância da rotina, dos ritmos. Hoje senti que o Casulo entrou em um ritmo ainda que caótico, mas janelas estão se abrindo e tal qual os retalhos das crianças esperando para serem costurados, estou aos poucos tecendo também a nossa história. ![]()
