“Vida vento vela leva-me daqui”
Começo enviando um salve para o autor deste sublime verso, o poeta e amigo Augusto Pontes, levado daqui em junho do ano passado.
De algum modo, estamos sempre indo, ou ao menos querendo ir. Quase todos não sabemos para onde. Mas vamos. Passamos. E só poucos, bem poucos, deixam rastro.
Portanto, um salve também para os que deixam rastros que nos levam a outros bons caminhos, na expectativa de sermos melhores a cada dia, de crescermos sempre como pessoas honestas, de paz e bem.
Pela previsão do tempo, o vento amansará e o tempo continuará bom, sem chuva. Completando oito dias no mar, faltam-nos 397 milhas náuticas (735km) para Barbados. Às 10h55min, com posição de 09°02’N e 54°07’W, estamos a cerca de 270 milhas náuticas (500km) a nordeste de Georgetown, na costa da Guiana.
Hoje, enquanto, os seis tomávamos café da manhã com pão de queijo, falando sobre farras e esbórnias dos grisalhos, na época em que Volta da Jurema e Paracuru estavam em alta, um passarinho veio tentar pegar a isca que estava lançada e mais golfinhos vieram saudar nossa passagem.
À tarde, João e eu demos uma surra em Beto e Lui, no jogo de buraco. Um peixe mordeu a isca, mas conseguiu soltar-se. O jantar, portanto, será lasanha à bolonhesa, importada congelada de Fortaleza.
Durante os preparativos, quando Solange me falou da composição da tripulação para esta travessia, concluí que, com os seis, o capitão pretendia mesmo era fazer um grupo de pagode, chamado “Juan Pagodero y los Casulitos”, para sair tocando de ilha em ilha caribenha e afanando trocados em dólares e euros de turistas incautos, encantados com nossa exuberância musical.
Pois assim será: em breve, lançaremos DVD e videoclipe musical, gravado em Porto Rico e Antigua, ao lado de fãs histéricas e curvilíneas. Estrearemos já no exterior em grande estilo. Nos próximos dias, informarei o repertório ensaiado e a quem caberá tocar cada instrumento. Aguardem.
Até lá, de primeira mão e para deleite geral, os membros do grupo agora se apresentam, nas palavras de cada um:
João Carlos, capitão (52 anos, engenheiro civil): ”Este menino vive no mundo da Lua”. Tal frase, dita e repetida pela minha querida mãe, d. Ednir, desde os meus seis anos de idade, sintetiza o que se passava na cabeça desde minha remota infância. A mania de sonhar sempre acompanhou este menino até sua fase atual de capitão do Casulo. De lá para cá, muita água rolou em minha vida. Importantíssimo: nesse ínterim, nunca deixei de ser menino nem de sonhar. Fiz meus estudos básicos no colégio Christus. Graduei-me em Engenharia Civil na UFC (turma de 1981). Logo em seguida, casei-me e tive dois filhos lindos, Lívia (25) e Ivan (22), que muito me orgulham. Com doze anos de casado, divorciei-me e, depois de muito sofrimento, quase fui convocado para o “outro mundo” após quebrar, no meu peito, a barra da direção do veículo que dirigia, nas proximidades do Castelão, quando voltava de show do Olodum às 4 da matina, numa quarta-feira, escutando Barbra Streisand. Consciente da necessidade de mudança, assumi um pequeno compromisso comigo mesmo: de ser uma pessoa um pouquinho melhor todos os dias que me fossem concedidos neste segundo turno da minha vida. Uma semana depois, recebi o prêmio de ter tomado a decisão correta: conheci minha atual companheira de todas as horas, Solange. Com ela tenho duas gatinhas lindas e atuais marujinhas, Luana (9) e Marina (8). Não entendo porque as pessoas falam que o segredo da vida é ser feliz. Desde quando fiz as pazes comigo mesmo, sou feliz e não considero isso um segredo. É, sim, um direito de qualquer ser humano que tenha consciência de que estamos nessa vida de passagem. Segundo um amigo meu de farra, o empresário Steve Jobs, ao descobrir que sofria de uma doença terminal, falou: “A vida é muito curta para se viver a vida dos outros”. Para minha sorte, o meu despertar, ao contrário do do meu chapa Steve, não foi causado por doença alguma.
Beto (53 anos, engenheiro eletricista): casado há 29 anos (de muitas realizações) com Fernanda Romcy, um amor de pessoa. Temos três filhos maravilhosos: Renata (publicitária, trabalhando atualmente no jornal O Povo, noiva de um cara pedra 100, nada de 90, ele é mesmo 100, o Rinaldo); Thiago (engenheiro de telecomunicação, trabalha na Samsung, noivo de uma pernambucana maravilhosa. Tão especial que ele teve que ir à Europa para conhecê-la. Minha nora predileta tem dado uma grande contribuição ao crescimento da nossa empresa, Pacaás Engenharia); e Érica (estudante de Publicidade e atualmente estagia em nossa empresa na área de Comunicação. Linda, e solteira até o momento). Adoro velejar e estou encantado com o Casulo e sua tripulação. A viagem está sendo maravilhosa. Como disse hoje à Fernanda, todas as forças do universo estão colaborando para que esta viagem seja um marco em nossas vidas. Contato: www.pacaas.com.br
Ivan (22 anos, complicado descrever: formado em Design Digital e, já que grande parte das pessoas não sabe exatamente o que é isso, às vezes nem mesmo eu…). Trabalho com pós-produção de vídeo, efeitos especiais e 3D para qualquer coisa relacionada a imagem em movimento. Não é minha primeira vez a bordo do Casulo; na verdade, minha última estada durou apenas seis meses. Nasci em Fortaleza, morei por sete anos no Rio e, nos últimos cinco anos, tenho vivido no exterior. Identifico-me como a música Pais e filhos: “já morei em tanta casa que nem me lembro mais”. Os meus planos para o futuro estão tão definidos para o meu conhecimento quanto para o seu, mas imprevisibilidade faz parte da vida e gosto disso. Cada dia por vez.
Joshua (20 anos, estudante de Direito): filho de uma enfermeira, Liana, e de um engenheiro mecânico especializado em automóveis, Aníbal. Sou o caçula da casa, vindo depois do Aaron e do Caleb. Falando da família, não posso deixar de falar da minha avó materna, Vanda, por quem sou louco, alucinado. Da convivência com o trabalho do meu pai, do qual hoje faço parte, surgiu minha paixão pelos carros, o que talvez me leve a fazer algo que não esteja nem um pouco relacionado com o Direito no futuro. Sempre participei de muitas trilhas de carros, como pelos Lençóis Maranhenses, duas vezes, e pela Ilha de Marajó, o que eu chamava de aventura. Mas talvez só agora eu tenha descoberto o que realmente é aventura! O que estou vivendo é uma experiência única, indescritível e totalmente incomparável!
Lui (19 anos, estudante de Medicina): o mais jovem pagodeiro da tripulação. Nascido em Fortaleza e criado com muito afinco pelo dr. Newton Andrade e pela dra. Cristiana Silveira. Irmãos de coração tenho muitos, mas de sangue são: o já oftalmologista Newton Jr, Nathália e a caçulinha Luana. Desde os meus primeiros passos, já gostava muito de esportes e aventuras, da bila ao rafting. Espero que esta seja a primeira de muitas travessias que farei, pois descobrimos valores de vida inestimáveis. Hoje, sinto-me um membro da casulosa família, sou um casuloso!

January 25th, 2010 at 2:17 pm
Sugiro que o “FeliPero” Vaz de Caminha se apresente também e não só encha nossos dias com as deliciosas experiências do Casulo! Senhores Casulosos as fãs cearenses estão ansiosas pelos lançamentos de pagode que dançaremos até o chão… heheheheh
Avante Marujos!
January 25th, 2010 at 6:03 pm
Fiquei muito feliz pelas suas palavras tio Beto! Eu também posso dizer o quão especiais são os meus sogros. Estou feliz por essa sua aventura estar sendo uma experiência de vida! Aproveite cada minuto porque dela renderão muitas histórias que serão contadas a nós, nossos filhos, netos.. Abraço e todos da tripulação do Casulo.
Grande beijo
Débora
January 26th, 2010 at 7:35 am
Camila tem razão. A apresentação do grupo ainda não está completa. Falta o Felipe! E não vale repetir a apresentação do livro.