Uma família brasileira pelo mundo

Casulo bate recorde de distância

 Início de dia diferente: em decorrência dos chuviscos de ontem à noite, o calor amenizou e o mar encrespou-se mais ainda. A travessia, portanto, melhorou e piorou. Sensível leitor(a), imagine-se numa montanha russa durante o dia todo, ouvindo pancadas fortes das ondas no casco, que dão a impressão de que o catamarã atingiu algum arrecife. O cerebelo testado ao máximo. O sono picado. Alerta. Mas são situações diferentes como estas que valorizam a viagem. Aguçam-se os sentidos. Sai-se da zona de conforto. Não obstante minhas observações acima, sei que você ainda rói-se de inveja e por isso mesmo tem meu perdão — ego te absolvo. Com seis dias de velejo, chegamos à metade da travessia — atingimos 800 milhas náuticas pelas 09h40min. Com posição de 04°25’N e 49°28’W, acabamos de passar pela foz do Oiapoque e estamos a 60 milhas náuticas (111km) da costa da Guiana Francesa. Nesta quinta, após algumas medições, o Casulo bateu recorde: percorreu mais de 200 milhas náuticas (370km) em um dia, graças ao condescendente Tufão. Dentre os variados recursos de navegação disponíveis, destaco hoje dois: (a) cartas náuticas baixadas da Internet, que nos dão informações bem mais detalhadas do que as impressas. Com aquelas, localiza-se um obstáculo e refaz-se a rota com poucos cliques do mouse. O capitão esclarece, entretanto, que as impressas, na versão mais atualizada, são as mais confiáveis; e (b) serviço que fornece, sempre que solicitado por emeio, a previsão do tempo em determinada área a ser percorrida, com intervalos de doze horas. Para os próximos dias, portanto, previsão de ventos constantes, com picos de 25 nós (46km/h). O capitão está absorto na leitura de seu livro; Beto idem e já superou o enjôo; Ivan e Lui têm cochilado bastante; e Joshua, de tanto tirar foto, ganhou de mim o apelido de Giselle (ou Joselle, para os íntimos). No mais, nesta quinta-feira que desliza mansa, avistamos dois barcos grandes ao longe e, no cardápio, tivemos creme de frango e lagarto com arroz (pratos que vieram congelados, portanto sem minha participação direta, ressalto). Desde que saímos, não temos notícia do que se passa neste Brasilzão desmantelado, exceto pela informação de que o Flamengo ganhou do Duque de Caxias, que não tem a menor relevância para os peixes-voadores ali fora.

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One Response to “Casulo bate recorde de distância”

  1. Camila Barroso Vaz de Caminha Says:

    Estou me sentindo a própria Camila Barroso Vaz de Caminha, a irmã do escrivão da frota (Felipão Barroso Vaz de Caminha! Vcs não sabiam??!!heheh
    As descrições mais técnicas, realmente não entendo, mas as demais estão me deliciando nesse mês de janeiro, sem férias! Bjos e bons ventos!

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