Sobre golfinhos e xixi (ou When you wish upon a star)
Ei, você já fez xixi em alto-mar, batizando as águas azuis do Atlântico norte, em homenagem à aurora?
Ou qual situação você prefere, às sete e meia da matina: ficar entalado no engarrafamento perto do Iguatemi (se quiser, na Marginal Pinheiros) ou ser acompanhado por cinco golfinhos que festejam a passagem do Casulo?
As duas perguntas acima já bastariam para este post; ou até para esta travessia.
Entretanto, como sei da inveja e da curiosidade do(a) dileto(a) leitor(a), estendo-me falando sobre a madrugada de hoje, quando ventou bem, fazendo-nos cruzar o paralelo do Equador pelas 02h30min (longitude: 44°13’), ainda no turno que cumpri com Beto.
A chuva ameaçada ontem não veio e o céu estava iluminadíssimo, com uma nesga da Lua de quebra. Revelar-se-á cheia em breve, aguardemos.
João regulou as velas e dormiu pouco, pois assumiu às 03h00 o turno com Joshua, o chapeiro milagroso que, fazendo jus ao nome, segue multiplicando, ainda hoje, a picanha de sexta em recheio de sanduíches matutinos. Beto continua mareado e resolveu tomar remédio. Lui tem se revelado um eficiente lavador de pratos.
Falando em comida, hoje programei sururu no caldo da peixada de ontem; para os menos afoitos, peito de frango no molho tikka masala com cubinhos de manga on the side.
Sim, guloso(a) leitor(a), passa-se muito bem no Casulo — a missão organizacional da nossa cozinha aqui é fazer até o almirante Nelson (que Netuno o tenha) lamber os beiços. Pelo menos enquanto durarem os víveres.
Tive um papo agradável e longo com Ivan sobre literatura e cinema, gostos que nos são comuns. Disse-lhe que não me atraem os best sellers, nem os Dan Brown e Paulo Coelho que por aí abundam; prefiro investir meu tempo em Shakespeare e Antônio Lobo Antunes (não é afetação, please).
Na boca da noite, quando começou meu turno, que fiz com o capitão, avistamos um navio de cruzeiro branco e iluminado, talvez de passeio pelo Amazonas. A chuva ameaçou novamente, mas só ameaçou.
Nesta viagem, já avistei três estrelas cadentes. Tantas, que me faltaram pedidos. Numa delas, acabei pedindo toda a felicidade do mundo para as criancinhas carentes do Brasil, tentando me ombrear a Pelé (ou foi Romário?).

January 21st, 2010 at 1:40 pm
Hummmm ta bom, já quer matar de inveja em está ai, ainda fala nos cardápios…..
Misericódia…Já lambi os beiços várias vezes….
Arrocha Felipe!