O mar que nos alimenta
Tive a impressão de que o mar, à noite, andara meio irritadiço, mal humorado com alguém. Como eu não estava de vigília, pensei em chuva forte, com ventos, mas depois me explicaram que nada de anormal aconteceu — eram apenas as velas e a posição do barco em relação à corrente marítima, que fizeram o Casulo balançar mais. Pelas seis e meia da matina, já tínhamos substituído as velas, com explicações mais detalhadas do João sobre a finalidade de cada uma. Tomamos café novo e tratei de me banhar mirando o infinito, onde a água derrama-se no céu. Os mais jovens dormiram a manhã toda. Mandamos emeios pelo Iridium, incluindo a primeira atualização que fiz deste blog. Os demais tripulantes deram risada com as peripécias que descrevi. Ainda bem, porque tenho a mania feia de perder o amigo, mas não perder a piada — e isto dentro de um barco de 42 pés (cerca de 12,6m de comprimento) não é nada recomendável. Ivan foi convocado para eliminar todas as moscas, herança de Jeri. Corrijo-me: o capitão distribuiu a missão para todos, estipulando uma quota mínima de vinte moscas por tripulante. E assim ficamos, catando moscas em alto-mar no meio da tarde, enquanto milhões em Fortaleza se estapeiam para ganhar os trocados do jantar. Falando em jantar, pensei em descongelar o filé mignon, mas o capitão fisgou um dourado de cerca de um metro de comprimento e a peixada ficou obviamente na pole position. Caprichei nos ingredientes (inclusive ovo cozido), Lui preparou o arroz com alho sob meus auspícios, e sentamo-nos os seis, pela primeira vez, para um lauto jantar acompanhado de suco de maracujá. Estava, sim, divino, sem falsa modéstia — o capitão agora querendo me levar para a travessia no Pacífico… Pena que tivemos de interromper por causa da chuva que ameaçava, e ainda ameaça pelas 19h00 (latitude: 00°37’S; longitude: 43°35’W). Céu escuro, chuva rápida, mas deve vir mais durante a noite. Cuidados. Sem esquecer o recife Manuel Luís, área perigosa, localizada na baía de São Marcos, ao norte de São Luís do Maranhão. Sim, refiro-me ao mesmo mar, provedor e traiçoeiro.
Post by Felipe Barroso a bordo do Casulo

January 20th, 2010 at 12:24 pm
João e seus amigos aventureiros…
ontem li e lembrei de vcs..
“Um homem precisa viajar. Por sua conta,… não por meio de histórias,
imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para
um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o
oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar
para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como imaginamos
e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando
deveríamos ser alunos e simplesmente ir ver. Não há como não admirar um homem ” Cousteau – ao
comentar o sucesso do seu primeiro grande filme: ‘Não adianta, não serve para nada, é preciso ir ver’.
Que a vigem seja rica de emoções.
Estamos torcendo…
abraços a todos
Eliana e Gugu
January 20th, 2010 at 1:45 pm
Felipe,
É muito bom ler, enfim, suas primeiras impressões sobre a aventura no Casulo.
Aprenda direitinho a caçar moscas e, quando voltar, poderá praticar ainda mais no sertão do RN.
hehehehe
Bj
January 21st, 2010 at 9:22 am
Vou adotar esse metodo aqui em casa, estipular para cada pessoa uma meta de moscas para matarem….muito bom
Mas vc seguiu a risca…descreve tudo em alto estilo,, to bege….por alguns instantes me transportei dessa terrinha medíocre…e me imaginei em alto mar…
muito boa a sensação!!! aproveite tudo…só não as velhinhas funcionárias públicas
kkkkkkkk
January 21st, 2010 at 9:23 am
“…tratei de me banhar mirando o infinito, onde a água derrama-se no céu”.
Perfeito!