Caribe, here we go!
A despedida do Marina Park, em Fortaleza, foi calorosa, amigável, cheia de sorrisos.
Saímos pelas 09h20min e começamos logo a arrumar bagagem e alimentos.
Dos seis tripulantes, os três mais jovens arrearam logo na primeira hora e dormem desde então, cada qual numa cama. Nõs, os três gatosos (gatos idosos), continuamos firmes: eu organizando parte dos víveres, armazenando comida e pensando no que fazer para o jantar; os outros dois, João e Beto, voltados inteiramente para o barco, porque levantamos vela depois de umas duas horas de mar.
Transcorridas quase quatro horas da nossa partida de Fortaleza, já passamos pelo porto do Pecém, cruzamos com um cargueiro e avistamos ainda uns aerogeradores.
Empurrados pelo vento; a vela, uma Parasailor azul com detalhes brancos, é bonita, inchada, grávida de nada.
Inigualável a sensação de flutuar n´água com John Coltrane no ipod, com o marulhar, com o vento que ouriça tudo. Raros já sentiram isso e, por este motivo, talvez seja difícil (ou impossível) abandonar o prazer de navegar. Sem falar no constante desafio, insegurança e sedução que o mar oferece.
Detalhe: sou marujo novatíssimo, de primeira viagem mesmo (permita o clichê), mas já me deixo encantar pela experiência.
Jantamos picanha ao forno com espaguete al sugo, mais refrigerante. Refeição de bicho corajoso, para menosprezar mesmo enjôo e quaisquer outras sensações ruins logo no primeiro dia.
Falando em menosprezo, providenciei duas camisetas com mensagens para, na saída, fazer pouco caso de figuras lendárias ligadas ao mar — João vestiu uma dizendo “Jack Sparrow, here I come!”, referindo-se ao personagem vivido por Johnny Depp em Piratas do Caribe, e eu desdenhei da figura aterradora para embarcações, com “The Kraken sucks”. O turno em duplas, com duração de quatro horas, começou oficialmente às 18h00, com João e Joshua; seguidos por Ivan e Lui às 22h00; e por mim e Beto às 02h00 já do sábado (latitude: 02°46’S; longitude: 39°47’W).
