A tempestade
Ontem enfrentamos a nossa primeira TEMPESTADE. Tínhamos passado uma situação semelhante em Gibraltar quando o ventou pegou e tivemos que tirar a vela da frente em condições terríveis.Agora, o tempo ficou ainda mais escuro, o vento mais arrebatador e as ondas mais famintas. Coloque várias trovoadas ao fundo seguindo os raios que rasgam o céu. Acrescente a este cenário uma chuva tropical forte. Agora, faça um relâmpago grande cair do céu causando uma descarga elétrica no mar e danificando nosso sistema de navegação. Todos os monitores ficaram brancos e reapareceram com a perda de todas as informações. O piloto automático sai do ar o João teve que ficar no leme procurando manter o barco no curso fora da tempestade. A chuva com vento bate forte contra o Casulo, as ondas arrebentam no casco, o Capitão está imobilizado no timão enquanto eu tenho que procurar nos manuais que nunca li uma solução paleativa para o sistema de navegação. Colocamos o GPS alternativo no microondas desligado da tomada para funcionar como caixa de proteção. Desligamos todos os outros aparelhos com medo de perdê-los. Os trovões chicoteiam o mar revolto e parecem rachar o barco ao meio. O João
navega apenas com a orientação da bussóla, segurando firme no timão que
sofre para manter um curso em um mar tão agitado. Minha cabeça dói enquanto procuro por uma solução milagrosa em cada página de uma linguagem técnica que para mim é grego. Mas todos precisam de
mim, tenho que manter a calma e concentrar no que estou fazendo.
navega apenas com a orientação da bussóla, segurando firme no timão que
sofre para manter um curso em um mar tão agitado. Minha cabeça dói enquanto procuro por uma solução milagrosa em cada página de uma linguagem técnica que para mim é grego. Mas todos precisam de
mim, tenho que manter a calma e concentrar no que estou fazendo.
As crianças estão absortas na leitura alheias ao perigo que estamos correndo. As condições lá fora com o vento e com a chuva são desfavoráveis para qualquer intervenção nos equipamentos. Precisamos primeiro sair da tempestade para poder trabalhar em recuperâ-los.
O João que nunca reza, rezou.
Foram horas de suplício até que finalmente vemos uma luz vindo no
horizonte. As nuvens aos poucos foram sendo levadas pelo vento Sudeste e
abrindo uma clareira no tempo para nós. O João volta a ter um sorriso
esperançoso no rosto e a euforia contagia a tripulação.
Com o fim da chuva, o mar acalmou-se e conseguimos resetar o sistema.
Tensão… Deu certo! Tínhamos autopilot de novo e todas as informações foram aparentemente resgatadas. Que alívio!
O Capitão que estava encharcado fez uma rodada de chocolate quente para comemorar. Eu chorei compulsivamente depois do sufoco. Tive tanto medo! Nesta hora, vieram na mente todas as cenas trágicas de filmes de pessoas se afogando por causa de tempestades ou desastres no mar.
Foi horrível!!! Mas agora passou e temos muita sorte de estarmos vivos mas
um dia e mais próximos do nosso destino.
Faltam apenas 420 milhas náuticas.
Já percorremos mais de mil desde Cabo Verde. Êta marzão!!!!
Já percorremos mais de mil desde Cabo Verde. Êta marzão!!!!
