Uma família brasileira pelo mundo

Ilha da Madeira

Saímos de Cascais com uma chuva fina e muitas expectativas. Sabíamos que teríamos ondas grandes mas não esperávamos os 6 metros de colunas de água que praticamente escondiam o Casulo. O mar estava sem padrão e o vento tentava em vão domar as ondas. O barco batia sem parar e tudo que estava em prateleiras veio abaixo. Nunca isto tinha acontecido no nosso catamarã. O Lagildo, nosso amigo que faz este primeiro trecho conosco começou entusiasmado e falante e aos poucos foi calando-se e murchando. O mal-estar pesava no ar. Eu e as meninas ficamos logo verdes e inertes enquanto o Capitão João tinha que ficar no leme para passar este trecho inicial. Era a única chance que tínhamos para sair de Cascais naquele intervalo apesar do desconforto no princípio. Logo depois a previsão meteorológica anunciava mais tempestades e se esperássemos mar de almirante nunca chegaríamos às Canárias a tempo da travessia com nossos amigos velejadores.
Foi uma noite muito difícil. A tripulação inteira nocauteada pela náusea enquanto o Capitão aguentava firme sozinho a noite em claro atento ao intenso tráfego de navios na costa Portuguesa.
Foram 72 horas praticamente em jejum. Nada do que tentavamos comer segurava. SPA Casulo – começamos a brincar. O João até pescou um belo bonito maravilhosamente preparado pelo Lagildo e dois atuns mas nosso apetite não era o mesmo. Os armários continuam altamente estocados.
No último dia, o sol começa a aparecer, as ondas recuperam um padrão e a cor volta aos nossos rostos. Podemos finalmente usufruir da última perna da velejada rumo o arquipelágo da Madeira. Passamos por Porto Santo ainda escuro e resolvemos seguir direto para Funchal. Às 10 horas, descemos a âncora na baía de São Roque aonde pudemos finalmente tomar um café da manhã e mantê-lo no estômago! Fizemos uma limpeza geral no barco, lavamos roupa, conectamo-nos a civilização e resgatamos os estudos das crianças. A rotina quebrada com a travessia de 500 milhas náuticas aos poucos é readquirida. Temos apenas que instalar o Iridium aqui e explorar Funchal por terra enquanto aguardamos um bom tempo que nos leve até as ilhas Canárias para mais uma parte da travessia.

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One Response to “Ilha da Madeira”

  1. Giovanna Says:

    Fico super emocianada e feliz de saber que uma familia de cearenses esta nesta aventura…
    Espero que vcs escrevam um livro no final da viagem :)
    Beijos e boa sorte…
    P.S. Sou cearense mas moro em New York.

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