Uma família brasileira pelo mundo

Archive for November, 2009

Madeeeeeeeeeeeeeira!

Saturday, November 28th, 2009

Chegamos sem expectativa algum ao arquipélago da Madeira e descobrimos na ilha de Funchal uma cidade pujante com um clima agradabilíssimo no final de novembro. Do Casulo, víamos os caiaques, os windsurfs, os optimistiques, os transatlânticos, os navios de marinha em atividade intensa para início de inverno europeu. Alugamos um carro e saímos descobrindo a ilha de Funchal. Foi uma surpresa atrás da outra. O período do Lagildo conosco foi maravilhoso! Tivemos o privilégio de poder conviver com esta pessoa tão bacana. O trecho que ele pegou não foi fácil, mas o danado aguentou o trampo! Valeu, Lagildão pelo apoio. Valeu pelo carinho! Você tem mais uma família aqui no Casulo.
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Marcas no paredão da ilha de Funchal

Saturday, November 28th, 2009

Os velejadores do mundo inteiro que passam na ilha da Madeira, fazem questão de deixar sua marca. Há um paredão colorido que marca a passagem de vários velejadores por esta ilha no meio do Atlântico.

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Ilha da Madeira

Thursday, November 26th, 2009

Saímos de Cascais com uma chuva fina e muitas expectativas. Sabíamos que teríamos ondas grandes mas não esperávamos os 6 metros de colunas de água que praticamente escondiam o Casulo. O mar estava sem padrão e o vento tentava em vão domar as ondas. O barco batia sem parar e tudo que estava em prateleiras veio abaixo. Nunca isto tinha acontecido no nosso catamarã. O Lagildo, nosso amigo que faz este primeiro trecho conosco começou entusiasmado e falante e aos poucos foi calando-se e murchando. O mal-estar pesava no ar. Eu e as meninas ficamos logo verdes e inertes enquanto o Capitão João tinha que ficar no leme para passar este trecho inicial. Era a única chance que tínhamos para sair de Cascais naquele intervalo apesar do desconforto no princípio. Logo depois a previsão meteorológica anunciava mais tempestades e se esperássemos mar de almirante nunca chegaríamos às Canárias a tempo da travessia com nossos amigos velejadores.
Foi uma noite muito difícil. A tripulação inteira nocauteada pela náusea enquanto o Capitão aguentava firme sozinho a noite em claro atento ao intenso tráfego de navios na costa Portuguesa.
Foram 72 horas praticamente em jejum. Nada do que tentavamos comer segurava. SPA Casulo – começamos a brincar. O João até pescou um belo bonito maravilhosamente preparado pelo Lagildo e dois atuns mas nosso apetite não era o mesmo. Os armários continuam altamente estocados.
No último dia, o sol começa a aparecer, as ondas recuperam um padrão e a cor volta aos nossos rostos. Podemos finalmente usufruir da última perna da velejada rumo o arquipelágo da Madeira. Passamos por Porto Santo ainda escuro e resolvemos seguir direto para Funchal. Às 10 horas, descemos a âncora na baía de São Roque aonde pudemos finalmente tomar um café da manhã e mantê-lo no estômago! Fizemos uma limpeza geral no barco, lavamos roupa, conectamo-nos a civilização e resgatamos os estudos das crianças. A rotina quebrada com a travessia de 500 milhas náuticas aos poucos é readquirida. Temos apenas que instalar o Iridium aqui e explorar Funchal por terra enquanto aguardamos um bom tempo que nos leve até as ilhas Canárias para mais uma parte da travessia.

E o Casulo ganha seus padrinhos

Saturday, November 21st, 2009

Ontem enquanto continuávamos a arrumar o Casulo para a travessia, aconteceu uma coisa que nos atingiu profundamente. As lágrimas há muito guardadas verteram e tivemos um momento tão bonito proporcionado pelos nossos amigos que viagem passou a ter uma nova dimensão. Foi uma chacoalhada nos nossos valores e mais uma vez uma lembrança do que realmente vale a pena. Mas vamos voltar atrás para contextualizar tudo…
Há uma semana que não páramos de organizar o Casulo. Fizemos uma limpeza profunda de 10 horas seguidas com uma faxineira, era um esfrega aqui, esfrega acolá sem fim. Aspiramos os colchões, as cortinas, cada cantinho com a superRainbow da Margareth. Conseguimos debelar cada foco de mofo que insistia em brotar. Trocamos as capas dos edredons, travesseiros, lençois e toalhas. Foram 40 kg de roupa lavada. Abrimos todos os alçapões do barco para inspecionar. Descobri lugares que nestes 30 meses que moramos no Casulo, nem sabia que existiam. Fizemos várias viagens ao supermercado para poder abastecer. Tivemos que estocar no espaço reduzido dos armários 5 carrinhos com comida transbordando para que pudessemos aguentar um mês no mar. Cada espaço foi meticulosamente limpo e ocupado. Tem comida guardada até dentro de panela de pressão! Fizemos também algumas alterações importantes que consumiram tempo e muito dinheiro. Em um momento tinham 5 pessoas simultaneamente trabalhando a bordo enquanto as crianças estudavam e eu insistia em fazer uma sopa saudável de espinafre para poder nos esquentar do vento frio que açoitava de fora, lembrando-nos a todo momento que já era Outono e que já devíamos estar há muito tempo nas ilhas Canárias. Foram dias e dias de desgaste interno enquanto aumentava a ansiedade e o medo da partida. Neste interim, tivemos sempre o apoio incondicional da Salete e do Zé Augusto. Eles também nos apresentaram a Margareth e o  Felipe que também nos encantaram e foram fundamentais para que passássemos por todo este processo até aqui. A Margareth ligava sempre pelas manhãs com um sorriso que nos iluminava e nos dava disposição de passar por mais uma etapa do que parecia não terminar nunca! Sentamos à sua cozinha para elaborar um cardápio para a travessia, experimentamos receitas, fui apresentada a produtos novos e fizemos juntas a longa lista de compras. O Felipe foi muito carinhoso ao nos receber em sua casa, sempre bem humorado e amável conosco e com as crianças. Sentou com a Marina e conversou sobre o que é ser fashion designer e desenhou junto com ela um croquis. Ela ficou fascinada! Afinal não é sempre que aos 7 anos se pode cruzar com um fashion designer de verdade e conversar com ele de igual para igual. Estas pequenas coisas não tem preço. A Salete e o Zé tem uma vida super atribulada aqui. Eles comandam 4 empresas ligadas a barcos e o dia deles nunca é suficiente para dar conta de tudo. Mesmo assim, eles estavam sempre atentos a nós. A Salete me convidou um dia para almoçar e dar uma pausa porque meu ritmo é trabalhar até a exaustão! Enquanto isso, eu vou atropelando todo mundo… O nível de estresse ao meu redor fica às alturas e o clima fica mesmo insuportável. O nosso amigo Lagildo chegou para fazer estes primeiros trechos conosco e logo percebeu o clima tenso. Consegui sair com ela, apesar de tentar me sabotar várias vezes. Fiz uma compra para mim! Cremes e produtos para me cuidar, não cuidar dos outros, mas de MIM. Ela tem uma vida superequilibrada no sentido de conseguir ser mãe, empresária, dona-de-casa, esposa e ainda ser ELA. Tirar um tempo para ela, se valorizar, se nutrir para poder aguentar o tranco. E como aguenta! Ela tem sido um grande modelo de garra, de determinação, de percepção e de generosidade.  Tem sido um presente poder compartilhar estes momentos com o casal que depois de 25 anos ainda continua apaixonado. O Zé ainda ri das piadas da Sá e adora todas as suas encenações e brincadeiras. É bonito de ver…
Apesar de todos os revezes, o tempo foi passando e o dia da partida chegando. O João viu na previsão do tempo, uma brecha no Sábado e temos que partir. Fizemos então o jantar de despedida com direitos a troca de presentes e mil agradecimentos. Quando chegamos no barco para tomar um cálice de vinho do porto especialíssimo oferecido por eles, fui trazer a tona a estória do pára-brisa do barco que foi fabricado com defeito. Quem reclamou, recebeu da fábrica. Eu achava um absurdo não termos mais direito por não termos reclamado na época da garantia. Na realidade, não era o pára-brisa, eram todas as frustações acumuladas que se concentraram naquele mero objeto. Ele era um pretexto para que eu pudesse externar uma série de questões minhas não resolvidas. Estraguei a noite. Fiquei mal, sem dormir com um engasgo na garganta. Esperei dar 9 horas e liguei para o Zé pedindo desculpas. Ele sempre muito educado disse que não tinha problema. Expliquei da minha tensão e que a questão do pára-brisa não era para ter aquela importância afinal temos recebido muito e é nisto que temos que concentrar. Aliviei um pouco mas comecei o dia rançosa. Ao meio-dia, chega um funcionário da Plastimo com um pacote enorme. Ao entregar o pacote, suas instruções são para ler a dedicatória em voz alta. Já imaginávamos o que estava por vir… Porque tudo da Salete é teatral com um toque de grandioso e de sublime. É ela! Este post vai ser enorme mas não dá para resumir uma ópera cortando logo esta ária. Aqui está a carta:
 “Querido Casulo,
Estivemos aí ontem e mal pudemos lhe ver! Sabe como é, muitas coisas por cima de você, deu para termos uma visão parcial do que poderá ser você, todo lindo, imponente a atravessar os oceanos!
Por outro lado, ficamos felizes em poder partilhar contigo e com os seus pais de momentos maravilhosos juntos neste tempo que estivemos a bordo.
Mas temos que confessar uma coisa:
Quando chegamos em casa e deitamos nossas cabeças nos travesseiros, veio um remorso! Então é você o que leva os seus pais por este mundo afora, que tenta não falhar e estar presente como um verdadeiro “filho”, assistiu toda a família ganhar presentes de natal e brindarem na sua frente com um porto especial!!! E você??? Nada!!! Assistiu calado, sem reclamar como sempre!
Aí pensamos, pôxa ele também tem o direito de estar mais bonito, de ficar mais valorizado e com este presente também proporcionar uma maior transparência por este mar afora.
Desculpe a nossa falha Casulo! Mas sempre há tempo de reconhecer aqueles que contribuem para momentos agradáveis e inesquecíveis, como você!
Esperamos que aproveite  bem este presente Casulo, que passe um natal maravilhoso com seus pais e no mínimo que pedimos como forma de agradecimente é: Se portar bem!!!”
Beijos, boa viagem
Novembro/2009
Salete e Zé Augusto
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Pode? Eles nos deram de presente o bendito pára-brisa! O Casulo ficou tão feliz, tão lisonjeado que agora não quer saber de mais ninguém. Elegeu seus padrinhos!
Chorei todas as cartas que não escrevi para os amigos em momentos difíceis. Chorei os presentes que não tive tempo de presentear. Chorei o tempo disperdiçado em discussões fúteis. Chorei toda a tensão represada.
Sentimo-nos não merecedores de tanta atenção e tanto carinho e chorei de novo.^
A eles, o nosso obrigado de coração.
Viajaremos mais leves, mais valorizados e com a perspectiva reajustada do que realmente importa.

Novo ponto de partida

Wednesday, November 11th, 2009

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Entardecer em Lisboa. Vista de Cascais. Estamos de volta para deixar o Casulo pronto para a travessia. Por enquanto o Casulo está fora d´água aonde está recebendo novas hélices retráteis e corrigindo um vazamento no compartimento dos motores. Foi feita uma revisão geral e todas as alterações que o Capitão João necessitou foram efetuadas.

As crianças voltam aos poucos a rotina de estudos depois da pausa em Fortaleza.
Ainda ficamos mais uns dias na marina de Cascais esperando o vento certo para rumar SUL.

Maratona de profissionais de saúde

Wednesday, November 11th, 2009

O período em Fortaleza já era corrido e ainda fui inventar de levar as crianças para médicos e dentistas! Foi uma consulta atrás da outra, um exame de última hora, uma radiografia que não contávamos o que acabou ocupando todo o nosso tempo útil em Fortaleza. Foi duro para as meninas, mas o importante é que conseguimos resolver quase tudo apesar do tempo exíguo. Tudo graças a atenção e o carinho dos nossos amigos que se desdobraram para nos atender e tentar todas as soluções para que possamos continuar a viagem do barco em paz e com saúde!
Quero agradecer em especial ao Dr. Newton, a Dra. Rossana, ao Dr. Helder, a Dra. Maizinha e a Dra. Aline. Vocês foram sensacionais!

Aniversário Mamãe

Thursday, November 5th, 2009

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DSC00787 Acabamos resolvendo fazer uma surpresa e voar para Fortaleza para o aniversário da Mamãe. Acho que por esta ela não esperava, nem nós! Foi tudo resolvido de última hora mas conseguimos chegar inteiros apesar de termos que esperar 10 horas no aeroporto. Para quem estava acostumado a viajar para Nova Zelândia, isto é moleza!
Ficamos muito felizes de ver a Mamãe tão bem. Continua dando palpite em tudo e sempre tendo uma forma melhor de fazer as coisas. Ainda bem! Continua sendo a pessoa mais generosa e querida que já conheci. Queremos vê-la sempre dando pitacos, inventando coisas para fazer, deixando o sítio cada dia mais florido e reunindo toda a família e amigos por lá. Para os que puderam passar por lá, obrigada pelo carinho!