O resgate
Depois do acidente do Elio, todo mundo ficou assustado e a guarda costeira resolveu reforçar os avisos sobre o perigo na utilização da poita. O João amarrou com outro cabo por baixo da poita e para garantir usou mais dois cabos nessa amarração de segurança. Todos os barcos fizeram o mesmo e quando o vento aumentava, todos os skippers iam para o convés para checar. Quando algo dá errado no barco, sempre dá MUITO ERRADO.
O Elio ficou conosco até o CRAPUN ser levado para a marina aonde começarão os trabalhos para sua recuperação. Foi um presente para nós podermos ter convivido com uma pessoa tão para cima quanto o Elio. Ele brincava com as meninas enquanto fazia charadas, conversou com o Ivan sobre o universo e as constelações, discutiu comigo sobre educação e nossos dilemas sobre o sistema atual e claro filosofou muito com o Capitão. Elio também nos deu muitas dicas sobre o Caribe principalmente Panamá e San Blas. O que nos parecia muito distante aos poucos começou a ter forma. Trocamos com ele informações sobre a Grécia e Turquia e reforçamos nele o sonho de continuar a viagem porque, apesar de todos os reveses, vale a pena.
Neste período que passamos juntos, o tempo fechou, o vento uivou loucamente e choveu muito enquanto esperávamos o resgate do CRAPUN. Apareceram abutres pedindo preços assombrosos, apareceram dificuldades quanto a operação em si, mas em nenhum momento o Elio esmoreceu. Ele sempre acordava primeiro e ia para fora do barco na esperança de que aquele fosse o dia no qual o CRAPUN ia ser salvo. Todos os dias, ele checava o barco e aliviava a carga trazendo suas coisas para o CASULO. Ninguém conseguia nem andar no nosso convés mas praticamente tudo foi estocado com segurança.
Aqui o Crapun ainda na praia. As primeras movimentações para o início do resgate.
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A operação foi complexa e todo mundo que estava na pequena baía de Espalmador veio para ajudar. O barco de resgate teve a idéia de cavar um canal na parte rasa em frente ao Crapun utilizando a sua hélice com toda a velocidade para deslocar a areia no fundo do mar e com a contribuição de todos puxando ao mesmo tempo, o barco conseguiu ser colocado na água e flutuar com o auxílio das bóias. A idéia foi genial. Os engenheiros, físicos e técnicos que estavam envolvidos na operçaõ ficaram impressionados com a sacada de usar as hélices para fazer um canal artificial submerso.
Vendo o Crapun assim, soltei um suspiro e pensei em voz alta. “O Crapun nunca mais será o mesmo…” A Marina que saca tudo, respondeu na hora: “Vai ser melhor, Mamãe. Muito melhor!” De fato, o Elio vai dar tudo de si e vai refazer o Crapun com todas as modificações que ele sempre quis. Brincamos com ele e dissemos que dentro de pouco tempo, ele vai decodificar tudo de Formentera aonde ele trabalhará no inverno. Queremos uma foto do Crapun de novo na água estourando uma garrafa de champagne no casco para celebrar o novo começo.
