Uma família brasileira pelo mundo

Archive for July, 2009

Na terra da Máfia!

Friday, July 10th, 2009

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Marina mostrando o peixe que o João queria ter pego e selecionando os produtos da estação

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Acabou que eu e o João resolvemos levar as meninas para o mercado para ter uma verdadeira experiência Siciliana. Todo mundo flando altíssimo parecia Brasil. Começamos por uma loja de queijos onde o Signore gentilíssimo deixou de atender todo mundo para nos atender. Cada queijo que ele nos dava para degustar, ele trazia ou em uma baguette fresca, ou acompanhado de tomate seco, ou com azeitonas ou com azeite para mostrar como realçar o sabor do queijo. Impressionante! Funcionou. Saímos carregados de pecorino, de parmesão e de queijo defumado por ele. As crianças aprenderam os números em Italiano enquanto barganhávamos por uns centavos a menos no total.
Deixamos as crianças no barco e partimos para a segunda etapa que é o abastecimento em supermercado. Aqui nada de entrega em domicílio. Tivemos que andar 20 minutos para chegar no supermercado e mais 30 carregando garrafas e garrafas de água. Quando voltamos e conseguimos carregar o dinghy, o motor ligou e não fazia qualquer força. O Capitão levanta assustado para perceber que tinham roubado a nossa hélice! Ontem ele passou o dia consertando a hélice do barcão e hoje ter que dar problema na hélice do barquinho é demais… Todos os planos ficam na espera até que possamos encontrar uma revenda para poder encomendar a hélice roubada e suas peças. Nunca tivemos problemas com o dinghy em Portugal, na Espanha, na Tunísia, na Grécia e na Turquia e vamos ter aqui na Sicília! Em terra da máfia, nunca deve se confiar.

Sorte ou azar?

Thursday, July 9th, 2009

Há um tempo atrás, eu li um livro em inglês que se chamava algo como Zen budismo para crianças. Apesar do título pretensioso e da leitura rápida e descompromissada, o livro era uma interessante coletânea de fábulas que procuravam passar mensagens de Buda. A estória que mais me chamou atenção foi uma que nos fazia refletir sobre o que era sorte ou azar. No conto, um jovem acidentalmente quebra a perna. O narrador pergunta: “Sorte ou azar?” Azar, respondi com segurança. O narrador continua o relato com um tom malicioso. “Dias depois é deflagrada naquele país uma guerra e todos os jovens são alistados para o combate, exceto o jovem cuja perna foi quebrada. Sorte ou azar?” Sorte! O narrador então prosegue com uma série de eventos alternados que se sucedem desencadeando outros inesperados. Esta cadeia de eventos que se entrelaça e se expande desafia nossa definição simplória de sorte e azar, alertando-nos para a possibilidade de ver além do agora e e admitir que o estamos vendo no momento como negativo pode nos levar a consequências positivas.
Isto aconteceu ontem aqui em Siracusa. O plano era acordar cedo e ir ao mercado local para abastecer. É sempre uma excelente oportunidade para experimentar os produtos locais, frescos e comercializados por gente também da terra. Acabamos acordando tarde e demorando para preparar o café da manhã das crianças. O Ivan está com uma amiga alemã a bordo e a rotina ficou um pouco alterada.DSC08855

Tempo suficiente para a guarda costeira Italiana nos pedir para mudar a posição do barco pois estava na zona de acesso para a marina e para o canal. Pouco mas estava. Resolvemos fazer a mudança logo antes da nossa incursão na cidade. Tiro a âncora, o João maneja o Casulo e vamos procurar um lugar na disputada baía de Siracusa. Tentamos uma vez mas a âncora não segurou no chão lamacento. Sobe-se a âncora de novo e começa-se de novo em outro lugar. Às vezes temos que fazer isto várias vezes para garantir que a âncora não draga. Para ter certeza, o Capitão sempre dá uma ré forte no barco como que simulando uma ventania para confirmar que a âncora está segura. Ontem, enquanto ele dava rá, o motor apitou e parou. Piiiiiiiiiii = problema! A corda do dinghy enrosca no motor e por segurança, o motor trava. O João pega a máscara e snorlkel e mergulha para resolver. Mergulha várias vezes mas a corda parecia impossível de desenroscar entre a hélice e o suporte cônico que a encerrava. O João faz hiperventilação para ficar submerso mais tempo, em vão. Peremptório, ele diz que tem que cortar a corda. Corda cortada e ainda mais enganchada, sem ceder.  O jeito é mergulhar com tanque para poder trabalhar embaixo d´água com calma. Longos minutos depois, ele emerge triunfante com a corda.  Antes de sair, ele resolver checar o outro motor e vê uma diferença entre os dois. Está faltando parafuso! A hélice do motor de bomobordo estava solta!
Por causa da corda enroscada e da sacada dele de observar e comparar os motores, ele viu que a hélice estava completamente solta e poderíamos perdê-la a qualquer momento. Então a corda foi “Sorte ou azar?”
Na caixa dele de ferramentas que tem quase tudo, ele encontrou o parafuso do diâmetro certo, as aruelas adequadas. Porque tínhamos o tanque de mergulho cheio, o conserto embaixo d´água conseguiu ser feito pelo Capitão improvisando uma ferramenta ou outra.

DSC08856 Por causa deste evento, não saímos da baía conforme o previsto, não fomos ao mercado e acabamos transferindo tudo para amanhã. Sorte ou azar? Só o tempo dirá…

Amigo até debaixo d´água

Tuesday, July 7th, 2009

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O Olavo foi um grande companheiro de aventura.
Sempre disposto com um sorrisão, ele participou de todo o nosso dia-a-dia como se este fosse seu ambiente natural. Simpáticissimo com todos, tudo no seu caminho ia dando certo mesmo aparentemente dando errado. Foi ele que com sua calma, encontrou a Luana exploradora duas vezes! Foi ele que cozinhou o melhor peixe que tivemos a bordo, uma moqueca improvisada com um cação que nos foi presenteado por um pescador em Santorini. Era ele que acordava de manhã cedo para ajudar o Capitão nas velejadas e aprendeu tudo o que pode neste curto período. Aprendemos muito com ele também e ele deixou muitas saudades para a tripulação que continuou a viagem.

Adeus Grécia, Ciao Itália!

Friday, July 3rd, 2009

Escrevo do meio do mar Jônico. Acabamos de cruzar a linha imaginária que separa Grécia e Itália. Já estamos velejando há 34 horas. Non-stop. E ainda faltam mais 26 horas pela frente. Mas depois de metade do caminho percorrido, a segunda metade é de fato ladeira abaixo. O grande acontecimento do dia foi uma tartaruga marinha que vimos flutuando despreocupadamente.
DSC08830 As horas parecem arrastar-se enquanto velejamos e fico pensando como iremos aguentar as longas horas dos muitos  dias a mais que nos separam do Caribe. De certo, que nos acostumamos com tudo eventualmente. Mas ficar tantas horas mareada e tendo que levar uma vida normal vai ser uma grande conquista.
Hoje também QUASE pegamos o nosso primeiro peixe. O Capitão havia passado a noite acordado e exausto foi dormir às 6 da manhã quando o Ivan assumiu. Às 10 horas ouvimos o barulho no molinete. Tzimmmmm! Ivan reduz o motor e eu corro para acordar o capitão que pula sobressaltado. Mas as ordens eram: “Só me acordem se tiver uma baleia na nossa rota de colisão ou se um peixe morder a isca.” Ordem cumprida! Quando o João vai para a linha já não tinha mais tensão alguma. Mesmo assim, ele resolveu puxar e ver o que aconteceu. Na última vez que o anzol foi beliscado, ele quebrou de tão enferrujado que o peixe escapou. Puxa linha, puxa linha, puxa linha para ver um saco azul sendo arrastado! Que decepção! Ficamos curtindo dizendo que aqui no mediterrâneo, o peixe já vem embalado!