O primeiro peixe a gente nunca esquece
Mesmo trocando todo o material de pesca, depois de inúmeras tentativas frustradas, a paciência e fé do João permaneciam inabaláveis que em breve lhe aconteceria o momento mágico de todo pescador no qual um belo espécime marinho finalmente seria fisgado. Ele mentalizava isto cada vez que armava o material. Era um ritual no qual ele dramatizava para as meninas cada passo do processo desde o peixe na isca até o fresco e suculento peixe à mesa. Eu, cética, só desdenhava com o movimento negativo da cabeça e sorria…
Não é que o danado conseguiu?
Estávamos cruzando o mar Tirreno em direção a Sardenha. Era 7 e meia da manhã e à mesa do salão, só nós dois, conversávamos sobre a previsão do tempo. Quando de repente, ouço o zunir do molinete. “João, acho que é peixe!”
De um sobressalto, ele corre até a linha, me pede para reduzir a velocidade do barco, e começa a recolhê-la. “Acho que é pequeno…” Avaliava ele sem nenhuma propriedade. Afinal aquele era o nosso primeiríssimo peixe. Aos poucos, ele foi surgindo na superfície, brilhante e prateado, se debatendo freneticamente tentando escapar do anzol. Era mais uma vez a luta entre homem e natureza, o peixe se debatendo pela vida, o homem pelo alimento e pela glória.
Desta vez, o Capitão levou a melhor e como ele ficou feliz por isso.
