Uma família brasileira pelo mundo

Stromboli, aí vamos nós!

Quando sua filha começa a escrever melhor que você, é porque talvez tenha chegado a sua hora de parar… Chequem o relato dela em www.luananocasulo.com!

Mais uma vez, experiências são pessoais e intransferíveis e por mais que queíramos passar para o outro uma vivência que tivemos, a reação deste outro é totalmente imprevisível e raramente semelhante a sua. Foi isto que vivemos na nossa memorável escalada a cratera do Stromboli.

O João queria muito que o Ivan e eu fizéssemos esta escalada porque ele disse que foi umas das coisas mais impressionantes que ele já viveu e olha que ele já viveu bastante aventura! Motivada, inventei de convidar as crianças afinal um vulcão ativo não é todo dia que se encontra. Que idéia!

DSC09010Explicamos para elas, todas as dificuldades. Seriam quase 6 horas de caminhada. A subida era em zig zag e mais longa (2h30m). Chegaríamos na cratera do vulcão à meia-noite e ficaríamos por lá por quase uma hora até começar a descida por um caminho arenoso e escorregadio durante mais 2 horas. Não podia reclamar, não podia voltar, não tinha como desistir.
Depois que a intrépida trupe decidiu de fato ir, o Capitão ficou tomando conta do barco em uma ancoragem disputadíssima na base do vulcão.

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A primeira parada foi a 270 metros. Estávamos cansados, extremamente suados mas ainda empolgados. A nossa guia explica sobre atividades vulcânicas e sobre as ilhas Éolicas. Éramos 18 pessoas e as crianças foram na frente junto com a guia liderando o grupo.DSC09037

       Iniciamos a subida às 20:15 e uma hora depois já estava escuro. A segunda parte da escalada, depois dos 400 metros fica mais íngreme, em um caminho muito estreito com pedras soltas e uma areia muito escorregadia. Tivemos que fazer este percurso no escuro guiados apenas pelas lanternas individuais. Nesta altura, as crianças já estavam mortas! Reclamando do escuro, do cansaço, do medo… e eu já completamente sem energia, tendo que passar para elas! Não foi fácil.

DSC09045A guia nos deu capacetes e máscaras para proteger contra a poeira e os gases que resultam de cada explosão. A cada meia hora, nós parávamos mais ou menos 5 minutos. Nossa sorte foi que havia uma moça que estava pior do que a gente e pedia para parar com mais frequência. Quando chegamos ao topo, estávamos destruídas!
 
P7200194 Era meia-noite! A Marina por causa da exaustão, dormiu lá em cima no auge do espetáculo. Estava congelado e eu me tremia toda! Dei meu casaco para a Marina e o Ivan me deu o dele e ele ficou se convencendo que frio é psicológico enquanto batia os dentes. 

DSC09059O vulcão em erupção à noite. São explosões regulares aproximadamente a cada 15 minutos.

A visão é realmente impressionante. Uma experiência sinestésica sem igual. Sente-se os tremores no chão, o cheiro intenso de enxofre, a neblina cerrada, o barulho atordoante das explosões ecoando no silêncio do alto da montanha, a clara intensidade das chamas resultantes das erupções e os fragmentos de lava incandescente voando no céu negro para pousar na montanha escura era como se um céu estrelado tivesse caído formando um manto sobre o vucão que alternadamente descansa e explode.

Na descida, todo santo ajuda e de fato, aqui a velha máxima funcionou! A Luana disparou na frente com o guia, o Ivan pegava o resto de energia e saltava por entre o caminho como um cabrito montês. A Marina só queria uma cama voadora para levá-la direto para o calorzinho do seu casulo e eu já nem sentia mais o meu corpo era na banguela direto. Parávamos de vez em quando para tirar a areia dos sapatos para não acabarmos levando toda a areia do Stromboli para o barco. Cada bota se enchia mais.
DSC09064   DSC09107 Chegamos a base do vulcão à 1h30m da madrugada. A Marina pediu para eu tirar o capacete dela e eu soltei o bendito que rolou montanha abaixo feito uma bola de boliche! Queria chorar, mas fiquei aliviada de não ser um de nós testando a força da gravidade daquela altura naquela escuridão. Podíamos ouvir o capacete rebelde rolando por muito tempo entre as pedras.
Meu sapato ficou completamente detonado! Não menos que meus músculos e meus nervos de ter passado por uma experiência tão estressante.
Ainda tínhamos que andar pela praia pedregosa descalços até encontrar o dinghy. O Ivan foi muito companheiro e ajudou as crianças o tempo todo. Ainda perdeu o seu óculos na hora de colocar o dinghy dentro d´água na noite escura.
Nem acreditei quando chegamos inteiros no barco. Um capacete a menos, um óculos a menos e muitas dores a mais, foram o saldo desta inesquecível escalada ao Stromboli.

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