Uma família brasileira pelo mundo

Archive for July, 2009

Depois que se aprende a manha…

Friday, July 31st, 2009

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A passagem de Carloforte, Sardegna até Menorca, Espanha, foi tranquila para quase todos. Menos para mim e para os peixes!
A última coisa que eu queria era passar o meu aniversário a bordo, mas como o prazer maior do João é me testar, é claro que ele negociou com os ventos para oferecerem a melhor condição meteorológica no dia 28 para que não tivemos outra opção, a não ser VELEJAR. O tempo prometia uma velejada tranquila com vento controlável de popa, ideal para testar a Parasailor que tanto esperamos em Siracusa. É uma vela que funciona como um kite. É vazada no centro que permite que o vento transite e quase como um pára-quedas propulsiona o barco de uma forma equilibrada. Foram 12 horas de parasailor que precisou de ajuste fino a noite inteira e o Capitão não largou o leme durante o processo para maximizar o desempenho da vela. A viagem foi super econômica em termos de diesel pois só precisamos ligar o motor na entrada do porto natural de Mahón em Menorca as 5 e meia da manhão do dia 29.
Depois que pegou o primeiro peixe, o Capitão se empolgou e comprou umas iscas novas. A lulinha de plástico pode até enganar os peixes mas tem uma outra que achei que não representava nem ameaça. Ledo engano! Como peixe pensa diferente de marinheiras céticas (ainda bem!), esta pequena isca cor-de rosa foi responsável pela maior pescaria da nossa história. Foram dois Bonitos enormes no intervalo de 2 horas! Páramos de pescar porque não tinha mais aonde guardar peixe fresco.

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Marina estava eufórica com a pescaria e encarava o peixão todo ensanguentado com a maior naturalidade. A Luana por sua vez, ficou feliz pelo Capitão, mas queria distância daquela carnificina. O balde que segurava o peixe era só sangue enquanto em vão lutava.

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O primeiro peixe a gente nunca esquece

Saturday, July 25th, 2009

DSC09117 Mesmo trocando todo o material de pesca, depois de inúmeras tentativas frustradas, a paciência e fé do João permaneciam inabaláveis que em breve lhe aconteceria o momento mágico de todo pescador no qual um belo espécime marinho finalmente seria fisgado.  Ele mentalizava isto cada vez que armava o material. Era um ritual no qual ele dramatizava para as meninas cada passo do processo desde o peixe na isca até o fresco e suculento peixe à mesa. Eu, cética, só desdenhava com o movimento negativo da cabeça e sorria…
Não é que o danado conseguiu?
Estávamos cruzando o mar Tirreno em direção a Sardenha. Era 7 e meia da manhã e à mesa do salão, só nós dois, conversávamos sobre a previsão do tempo. Quando de repente, ouço o zunir do molinete. “João, acho que é peixe!”
De um sobressalto, ele corre até a linha, me pede para reduzir a velocidade do barco, e começa a recolhê-la. “Acho que é pequeno…” Avaliava ele sem nenhuma propriedade. Afinal aquele era o nosso primeiríssimo peixe. Aos poucos, ele foi surgindo na superfície, brilhante e prateado, se debatendo freneticamente tentando escapar do anzol. Era mais uma vez a luta entre homem e natureza, o peixe se debatendo pela vida, o homem pelo alimento e pela glória.
Desta vez, o Capitão levou a melhor e como ele ficou feliz por isso.

Mais ilhas éolicas

Friday, July 24th, 2009

Stromboli: erupções a luz do dia
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Ilha Salinas: com suas elegantes formações rochosas. As construções nas rochas nos lembrou a Capadocia.DSC09086

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Stromboli, aí vamos nós!

Friday, July 24th, 2009

Quando sua filha começa a escrever melhor que você, é porque talvez tenha chegado a sua hora de parar… Chequem o relato dela em www.luananocasulo.com!

Mais uma vez, experiências são pessoais e intransferíveis e por mais que queíramos passar para o outro uma vivência que tivemos, a reação deste outro é totalmente imprevisível e raramente semelhante a sua. Foi isto que vivemos na nossa memorável escalada a cratera do Stromboli.

O João queria muito que o Ivan e eu fizéssemos esta escalada porque ele disse que foi umas das coisas mais impressionantes que ele já viveu e olha que ele já viveu bastante aventura! Motivada, inventei de convidar as crianças afinal um vulcão ativo não é todo dia que se encontra. Que idéia!

DSC09010Explicamos para elas, todas as dificuldades. Seriam quase 6 horas de caminhada. A subida era em zig zag e mais longa (2h30m). Chegaríamos na cratera do vulcão à meia-noite e ficaríamos por lá por quase uma hora até começar a descida por um caminho arenoso e escorregadio durante mais 2 horas. Não podia reclamar, não podia voltar, não tinha como desistir.
Depois que a intrépida trupe decidiu de fato ir, o Capitão ficou tomando conta do barco em uma ancoragem disputadíssima na base do vulcão.

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A primeira parada foi a 270 metros. Estávamos cansados, extremamente suados mas ainda empolgados. A nossa guia explica sobre atividades vulcânicas e sobre as ilhas Éolicas. Éramos 18 pessoas e as crianças foram na frente junto com a guia liderando o grupo.DSC09037

       Iniciamos a subida às 20:15 e uma hora depois já estava escuro. A segunda parte da escalada, depois dos 400 metros fica mais íngreme, em um caminho muito estreito com pedras soltas e uma areia muito escorregadia. Tivemos que fazer este percurso no escuro guiados apenas pelas lanternas individuais. Nesta altura, as crianças já estavam mortas! Reclamando do escuro, do cansaço, do medo… e eu já completamente sem energia, tendo que passar para elas! Não foi fácil.

DSC09045A guia nos deu capacetes e máscaras para proteger contra a poeira e os gases que resultam de cada explosão. A cada meia hora, nós parávamos mais ou menos 5 minutos. Nossa sorte foi que havia uma moça que estava pior do que a gente e pedia para parar com mais frequência. Quando chegamos ao topo, estávamos destruídas!
 
P7200194 Era meia-noite! A Marina por causa da exaustão, dormiu lá em cima no auge do espetáculo. Estava congelado e eu me tremia toda! Dei meu casaco para a Marina e o Ivan me deu o dele e ele ficou se convencendo que frio é psicológico enquanto batia os dentes. 

DSC09059O vulcão em erupção à noite. São explosões regulares aproximadamente a cada 15 minutos.

A visão é realmente impressionante. Uma experiência sinestésica sem igual. Sente-se os tremores no chão, o cheiro intenso de enxofre, a neblina cerrada, o barulho atordoante das explosões ecoando no silêncio do alto da montanha, a clara intensidade das chamas resultantes das erupções e os fragmentos de lava incandescente voando no céu negro para pousar na montanha escura era como se um céu estrelado tivesse caído formando um manto sobre o vucão que alternadamente descansa e explode.

Na descida, todo santo ajuda e de fato, aqui a velha máxima funcionou! A Luana disparou na frente com o guia, o Ivan pegava o resto de energia e saltava por entre o caminho como um cabrito montês. A Marina só queria uma cama voadora para levá-la direto para o calorzinho do seu casulo e eu já nem sentia mais o meu corpo era na banguela direto. Parávamos de vez em quando para tirar a areia dos sapatos para não acabarmos levando toda a areia do Stromboli para o barco. Cada bota se enchia mais.
DSC09064   DSC09107 Chegamos a base do vulcão à 1h30m da madrugada. A Marina pediu para eu tirar o capacete dela e eu soltei o bendito que rolou montanha abaixo feito uma bola de boliche! Queria chorar, mas fiquei aliviada de não ser um de nós testando a força da gravidade daquela altura naquela escuridão. Podíamos ouvir o capacete rebelde rolando por muito tempo entre as pedras.
Meu sapato ficou completamente detonado! Não menos que meus músculos e meus nervos de ter passado por uma experiência tão estressante.
Ainda tínhamos que andar pela praia pedregosa descalços até encontrar o dinghy. O Ivan foi muito companheiro e ajudou as crianças o tempo todo. Ainda perdeu o seu óculos na hora de colocar o dinghy dentro d´água na noite escura.
Nem acreditei quando chegamos inteiros no barco. Um capacete a menos, um óculos a menos e muitas dores a mais, foram o saldo desta inesquecível escalada ao Stromboli.

Atravessando o Estreito de Messina

Saturday, July 18th, 2009

Depois de estudar a previsão do tempo e as correntes do Estreito de Messina, O João viu que não dava para parar em Taormina. Queríamos muito ver a Giselle, filha dos queridíssimos amigos Alessandra e Rino, mas o vento não ía nos deixar tranquilos na ancoragem precária de Taormina. O cálculo foi feito para atravessarmos o Estreito no amanhecer se velejássemos a noite inteira. Pelas fotos, vcs podem ver que o cálculo foi be feito! As correntes tem uma força impressionante a favor ou contra, o barco anda praticamente sozinho.

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“Dê-me um ponto de apoio que moverei o mundo.”Arquimedes

Friday, July 17th, 2009

O cidadão mais famoso de Siracusa foi Arquimedes não inventou a alavanca mas a estudou seu princípio exaustivamente. Por seus grandes feitos como cientista, matemática e engenheiro bélico, Arquimedes é lembrado de todas as formas em Siracusa. Nesta loja de doces típicos da Sicilia até um livro de açucar foi feito em sua homenagem.

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Também conta-se que ele conseguiu utilizar sua inteligência a favor do exército de Siracusa criando máquinas de guerra. Melhorou a precisão e força de catapultas lançando pedras certeiras para afundar os invasores, uma garra capaz de suspender as embarcações ofensoras e espelhos que concentrando e refletindo a luz solar incendiavam os navios inimigos.  

Fortaleza fazendo descobertas arqueológicas

Friday, July 17th, 2009

DSC08896Ainda na marina de Siracusa, vimos o imponente iate “Fortaleza”. O saudosismo da terra natal, nos fez tirar a foto no começo da manhã antes de começarmos a nossa caminhada. No mesmo dia à tarde, chega ao nosso barco um senhor simpaticissímo e muito educado e nos pergunta se somos da Nova Zelândia, pela nossa bandeira azul com estrelas vermelhas. Como sempre acontece, contamos um pouco da nossa história e ele um pouco da dele. Este senhor chama-se Ian Koblick e é uma das maiores especialidades mundiais em arqueologia submarina. Ele tem uma fundação chamada Aurora Trust responsável por importantes descobertas arqueológicas e pesquisas científicas sobre antigos naufrágios. Recentemente, sua equipe descobriu um naufrágio de 400 a.C., provavelmente um navio cargueiro que deu suporte em uma das batalhas entre Atenas e Siracusa. Ian foi muito gentil e nos convidou para um tour a bordo quando compartilhou conosco os bastidores deste posto avançado de exploração submarina.
Aqui, as meninas posam diante dos equipamentos de ponta em exploração subaquática. Um sonar e um rôbo controlado do navio “Fortaleza” capazes de ir muito mais fundo do que qualquer humano para filmar e registrar toda a riqueza das profundezas marinhas.

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A Luana testou a sensação de sentar na cadeira do capitão. Muito mais confortável que a nossa! O barco serve de base para todas as explorações que são feitas ao redor do mundo. Nele a equipe montou um escritório todo aparelhado para registrar e investigar suas descobertas. Conhecemos um time muito empolgado para nos revelar pelo menos parte da nossa história que ficou no fundo do oceano. DSC08969Para surpresa geral, o barco “Fortaleza” foi produzido e montado em Fortaleza mesmo! Ele foi construído pela INACE. Ficamos muito orgulhosos por ter visto um produto cearense chegar tão longe e ter um papel tão nobre.

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Siracusa

Friday, July 17th, 2009

Primeiro tivemos que parar aqui para esperar pela vela parasailor, também tivemos que receber a amiga alemã do Ivan, Vicky. Surpreendeu-nos a tranquilidade da baía natural de Siracusa. As noites, a baía se transformava em um grande e plácido lago. Ficamos mais tempo do que imaginávamos, mas em na vida de barco nunca se é exatamente como se planeja.

Baía de Siracusa ao amanhecer.

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         Como nem tudo é perfeito, o calor à noite, sem vento, fica insuportável. Como não dá para mudar, o jeito é pular da cama e explorar a cidade ainda cedo quando o sol não está tão alto.
Siracusa foi uma das cidades mais importantes no auge da Era Magna Grega. A influência dos gregos aqui é notável na arquitetura e na mitologia. Esta é a famosa fonte de Aretusa. Conta a lenda que Aretusa ao tentar escapar do deus dos rios Alfeu, foi transformada em fonte por Artemis (ou Diana para os Romanos) e emergiu exatamente neste ponto em Siracusa.
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Ficamos em Ortigia, o centro histórico. Organicamente “desorganizada” com ruelas que se encontram e desencontram e desembocam em igrejas belíssimas, tratorias charmosas ou em lugar nenhum. Siracusa é uma cidade para se perder e ir descobrindo aos poucos através dos pequenos detalhes. As caminhadas pela manhã foram gloriosos e estas fotos são o resultado. 
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SE… escrito por Rudyard Kipling

Thursday, July 16th, 2009

Se

Se és capaz de manter tua calma, quando,
todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa.
De crer em ti quando estão todos duvidando,
e para esses no entanto achar uma desculpa.

Se és capaz de esperar sem te desesperares,
ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
e não parecer bom demais, nem pretensioso.

Se és capaz de pensar – sem que a isso só te atires,
de sonhar – sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires,
tratar da mesma forma a esses dois impostores.

Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas,
em armadilhas as verdades que disseste
E as coisas, por que deste a vida estraçalhadas,
e refazê-las com o bem pouco que te reste.

Se és capaz de arriscar numa única parada,
tudo quanto ganhaste em toda a tua vida.
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
resignado, tornar ao ponto de partida.

De forçar coração, nervos, músculos, tudo,
a dar seja o que for que neles ainda existe.
E a persistir assim quando, exausto, contudo,
resta a vontade em ti, que ainda te ordena: Persiste!

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes,
e, entre reis, não perder a naturalidade.
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
se a todos podes ser de alguma utilidade.

Se és capaz de dar, segundo por segundo,
ao minuto fatal todo valor e brilho.
Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo,
e – o que ainda é muito mais – és um Homem, meu filho!

If

If you can keep your head when all about you
Are losing theirs and blaming it on you;
If you can trust yourself when all men doubt you,
But make allowance for their doubting too;
If you can wait and not be tired by waiting,
Or, being lied about, don’t deal in lies,
Or, being hated, don’t give way to hating,
And yet don’t look too good, nor talk too wise;

If you can dream – and not make dreams your master;
If you can think – and not make thoughts your aim;
If you can meet with triumph and disaster
And treat those two imposters just the same;
If you can bear to hear the truth you’ve spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to broken,
And stoop and build ‘em up with wornout tools;

If you can make one heap of all your winnings
And risk it on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
And never breath a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: "Hold on";

If you can talk with crowds and keep your virtue,
Or walk with kings – nor lose the common touch;
If neither foes nor loving friends can hurt you;
If all men count with you, but none too much;
If you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds’ worth of distance run –
Yours is the Earth and everything that’s in it,
And – which is more – you’ll be a Man my son!

Este é o poema que demos para a nossa filha de presente de 9 anos.

Luana fazendo 9 anos!

Tuesday, July 14th, 2009

DSC08871 Como o tempo passa rápido… A Luana está fazendo 9 anos agora no dia 16!

Aniversário no mar tem uma outra dimensão. Aqui temos que ser altamente criativos porque não dá para fazer festas no estilo do Brasil. Tudo tem que ser feito a bordo e o mais difícil: SEM CRIANÇAS!!!
Prometemos para a Luana que todos íamos ficar com 9 anos neste dia. Para o Capitão, isto não é problema mas para mim, vai ser duro ser totalmente livre, solta e divertida durante um dia inteiro.
Aqui também não dá para comprar presentes porque as opções são limitadas, então temos que fazer os presentes como se fazia antigamente. Cada um vai fazer um desenho, uma poesia, um livro, uma estória para dar de presente. Vamos fazer juntos o bolo, a decoração improvisada, os brigadeiros e a caça ao tesouro!

O aniversário passa a ter outro sentido… Mas a falta dos amigos ninguém consegue compensar! Então se vcs lembrarem, deem uma ligada para ela que vai ser o melhor presente que ela vai receber! É muito bom se sentir querida mesmo com 9 anos! DSC08864DSC08877

 

 

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