Turquesa Turquia
Acabamos de atracar em uma baía na Turquia amarrados ao cais de um restaurante chamado Aphrodisias. Estamos tão perto da Grécia que é impossível distinguir pelo relevo os dois países. Se falarmos isto para um Grego ou um Turco eles ficarão revoltadíssimos porque o clima de animosidade secular entre os dois países ainda permanece. A situação na ilha de Chipre é o retrato desta ferida aberta. Apesar dos doís países serem muito semelhantes em termos de culinária e hábitos, a religião disseminada pelos arábes e a língua imposta por Atatürk impedem qualquer possibilidade de miscigenação entre estes dois belíssimos países mediterrâneos. Nesta área em que estamos são apenas 11 milhas náuticas de distância entre eles e nós vamos vagarosamente explorar Turquia e Grécia como se fossem um.
Partimos de Göçek às 5 horas da manhã. O sol, como nós, foi suavemente despertado pelo cântico vibrante e badalado da mesquita que desde cedo conclama seus fiéis. O Casulo foi deslizando pelas águas calmas de um mar que parecia um lago rosalaranjado.
Depois de 8 horas de muito motor e vento zero, chegamos a Rodes. Bandeira azul e branca flanando no mastro enquanto sem esperança procurávamos uma vaga para um catamarã de 7,5m no pequeno e lotado porto de Rodes. Quase uma hora esperando, sem chances de milagres. O capitão teve que tomar uma decisão rápida entre permanecer na ilha e procurar uma ancoragem segura ou voltar para a Turquia aonde eles oferecem a comodidade de piers particulares de restaurantes em baías reservadas. Votação entre a tripulação: volta para a Turquia.
Depois de entrar e checar várias baías, acabamos atracando em uma baía muito calma com bastante segurança. Mas aí o capitão começa a passar mal. O João perdeu a cor e o brilho e caiu de cama como nunca tínhamos visto. Febrão danado, moleza no corpo inteiro quebrada apenas por pontadas agudas na barriga. 24 horas de agonia e nós sem sabermos o que fazer, isolados de tudo e de todos em uma baía no fim do mundo sem internet. Sufoco! Agora ele está bem melhor mas ainda não sabemos o que causou e nem como passou…
Como não dá tempo de parar, continuamos a viagem.
Aqui o Ivan e as meninas estão soltando a âncora. O Ivan está dando um show de companherismo e espírito de equipe. Pegou legal no pesado quando teve que pegar com o João. Está me ajudando muito na escola das crianças e nas tarefas regulares do barco. Agora ele está sentindo o que é a vida a bordo.
