Uma família brasileira pelo mundo

Archive for February, 2009

What is under the sea?

Thursday, February 26th, 2009

What is under the sea?

Upload feito originalmente por The Limas

Aqui estavamos em Carloforte no extremo sul da Sardenha, Itália. Tínhamos acabado de fazer a travessia vindo de Menorca e estávamos pisando pela primeira vez em solo italiano. Para mim, é sempre uma tensão a chegada em um país novo. No segundo dia, bate no nosso casco, um escocês bem alto e simpático e pergunta se tínhamos criança a bordo. Ele também estava com a esposa e duas filhas viajando de barco e estavam ansiosos para que suas crianças tivessem com quem brincar. Apesar das filhas deles serem menores, a Marina adotou as duas e logo ficaram amigas. As crianças no mar passam a ser menos exigentes quanto aos amigos e aprendem a interagir com crianças de outras culturas, outros idiomas e de qualquer idade. Elas logo aprendem que sempre tem alguma interessante para trocar e descobrir. John e Liz ainda ficaram mais tempo em Carloforte esperando uma peça do barco. O catamarã deles tem um desenho especial e veleja muito bem, mas como é um barco mais antigo tem uma limitação nas opções de peças.

Depois da tempestade…

Friday, February 20th, 2009

Todos nos perguntam qual foi o momento mais dificil da viagem. Pegamos uma tempestade quando estavamos dando uma volta na Sicilia. O vento mudou de repente e pegou intensidade. Nao tinhamos como voltar, nao tinhamos para aonde nos proteger. Mesmo com a vela rifada, o vento tornava-se incontrolavel. O adenometro marcava 56 nos e o CASULO coiceava aflito nas ondas agitadas. O Joao segurava firme no timao para surfar nas ondas e atenuar as batidas. As ondas cresciam e pareciam querer nos engolir. O Joao teve que me deixar a estacao de comando para tirar a vela que tinha ficado enganchada e jah estava atrapalhando o comando. Fiquei soh no timao com toda a responsabilidade de posicionar o barco contra o vento para minimizar o efeito da vela. Foi terror total! O Joao acoitado pela agua salgada subia no mastro para empurrar os carrilhoes da vela. O tempo que ele passou lah pareciam interminaveis, meus bracos doiam de tanta forca que precisava fazer para manter o barco menos a deriva. O trajeto que duraria 1 hora transformou-se em extenuantes 6! Tomamos a decisao de ancorar perto de um cabo bem proximo a praia. O vento nao cedia e o Joao levou o CASULO praticamente ateh a praia. Profundidade de 1.5m enquanto que o nosso calado eh de 1.3m. Ficamos por horas tensos e alertas. O gancho da ancora quebrou uma vez e entortou outra. Soh as 5h da manha, o vento arrefeceu e levantamos ancora rumo a baia seguinte procurando um refugio mais seguro. Encontramos uma marina nos aguardando em Castelamare. Desta vez, haviamos escapado.

Zia later

Friday, February 20th, 2009

Zia later

Upload feito originalmente por The Limas

Este é o zia later. Um catamarã de 51 pés que pertence a uma família americana. Joe e Christy são grandes velejadores e já estão morando a bordo a três anos. Suas filhas Cassie e Julianna estão totalmente adaptadas à vida a bordo. Elas estudam pela Calvert school, escola americana especializada em educação à distância. Agora eles estão no Caribe depois de percorrer todo o mediterrâneo por dois anos. Sentimos uma identidade grande quando os encontramos e logo nos sentimos muito à vontade. Sensação de patinhos feios que se encontram!

Pintando a natureza

Thursday, February 19th, 2009

Painting nature

Upload feito originalmente por The Limas

Estávamos em um restaurante na Turquia, chamado Buk. Cada país tem uma forma de receber os veleiros que por ele navegam. Na Turquia, o modelo que funciona é um misto de restaurante/atracadouro com um deck simples, as vezes flutuante aonde os barcos atracam e consomem no restaurante como pagamento. Nesta tarde, estávamos quase sozinhos e resolvemos tirar o material de pintura para registrar aquele momento. O deck de madeira era perfeito porque não precisava limpar depois. Chapéus para proteger do sol de rachar, paciência e muita disposição era só o que precisávamos. Fizemos muitas descobertas e tivemos uma tarde inesquecível apenas utilizando tempo, tinta e imaginação.

Como não sofrer por antecipação?

Thursday, February 19th, 2009

Ontem passamos por uma situação que mexeu muito comigo. Consegui finalmente marcar uma consulta médica para as crianças. Quando eu falei isto, a minha filha mas velha começou a ficar em pânico. “Será que vou ter que fazer exame de sangue?”, ela começou a me perguntar com olhar rogatório para que a assegurasse do contrário. “Talvez”, tive que responder com a sinceridade da dúvida. Na sala de espera, ela já começou a reclamar de dores do estômago e sutilmente pediu colo. Durante a consulta, ela estava agitada e ansiosa e de vez em quando soltava a pergunta crucial de novo – “exame de sangue?”. O veredito final foi o mais desesperador para ela: teria sim exame de sangue. “Vamos fazer logo?” sugeri querendo livrá-la daquele suplício. Pseudo, para mim, mas mais do que real para ela que já estava com as mãozinhas suadas sofrendo com todas as imagens de enfermeiras megeras amarrando-a, arrastando-a por entre corredores, sangue jorrando por todos os lados e gritos aterrorizantes ampliados por paredes imaculadamente brancas. Não adiantava tentar convencê-la do contrário. As palavras eram vãs, armas pífias, diante do horror potencializado pelas suas imagens mentais. Conversamos sobre outros assuntos com o objetivo de distraí-la mas o redemoinho mental em que ela se encontrava era muito mais poderoso. Fizemos as fichas em um laboratório vazio de final de tarde e fomos rapidamente atendidas. A minha filha caçula se prontificou para ser a primeira. Deu o grito e choro clássicos e fim. Abracei-a com carinho e acabou para ela. A outra estava em estado de choque na cadeira ao lado. Um choro aterrorizado desencadeado pelo grito da outra. Pânico. Medo. Todas as imagens mentais materializaram-se a partir do grito da irmã. Quem a convenceria do contrário? Esperneou, chorou, implorou por tudo para que escapasse daquela execução sumária. Diante da situação, um grupo de enfermeiros começou a circundá-la e olhar para mim como que dizendo: “Ao seu comando, ela está no papo!” Abracei-a mais forte e pedi a todos gentilmente que nos deixassem sozinhas. Levantamos, tomamos água e conversamos mais um pouco sempre reafirmando que ela tinha que fazer o bendito exame: voluntariamente ou à força. Voltamos para a cadeira da enfermaria (para ela, elétrica!) e tentamos de novo com ela sentada ao meu colo. Ela colocou a mão a contra-gosto e travou-se. Tivemos que dar um empurrãzinho para que ela mantivesse o braço quieto. Um minúsculo furinho e muito gritos depois, a amostra de sangue estava finalmente colhida.
A reflexão é como sofremos tanto por antecipação? Como criamos imagens mentais tão fortes que nos assolam e nos afligem muito mais que a realidade? Como desmontar desde a infância estes mecanismos negativos? Como trabalhar desde cedo a nossa capacidade de criar um repertório mental que nos proteja para enfrentar o que está por vir?

Atracando sem motor e sem vento em Sotogrande

Tuesday, February 17th, 2009

Sotogrande

Upload feito originalmente por The Limas

Depois que o nosso motor elétrico falhou em pleno estreito de Gibraltar, tivemos que contar com o sopro de vento que havia para nos levar até um recanto mais seguro na costa espanhola. Foram 7 horas para andar quase uma milha náutica. Quando o profundímetro marcou 12 metros, o João me mandou soltar a ancôra para garantir que, pelo menos ali, não estaríamos mais a deriva. A noite foi toda de angústia e atenção. Como rebocaríamos o barco? Como consertaríamos o motor? Cedinho, o João pegou o dinghy e foi até a baía mais próxima, um vilarejo de pescadores para pensar em uma solução. Apesar da profundidade, a ancoragem foi segura o suficiente para garantir a nossa permanência na mesma posição. Daquela vila de pescadores, não saíria nada… O João teve então a idéia de rebocar o Casulo com o dinghy, comigo na direção. Imagina! Fazer o quê, é? Vento zero, sem motor. Tínhamos que nos virar. Ele rebocou por quase 5 horas o grande Casulo até chegarmos em Sotogrande. Perto da chegada, uma lancha inglesa se solidarizou e se ofereceu para nos rebocar. Mal acreditamos quando conseguimos atracar na marina de Sotogrande sem motor!

Meninas na caravela de Colombo

Tuesday, February 17th, 2009

Meninas na caravela de Colombo

Upload feito originalmente por The Limas

Esta foto foi tirada quando estávamos em Baiona na Espanha a bordo de uma réplica da caravela Pinta, uma das que levou Cristovão Colombo à América. O Adam já havia nos deixado para que a minha mãe e minha irmã corajosamente entrassem a bordo. Ela foram excelentes marinheiras de primeira viagem. Conseguimos encontrá-las em Santiago, depois delas terem percorridos 100km a pé! A mamãe falou que foi uma experiência incrível e que todas as dores foram válidas. Nem me dei conta na época mas a nossa peregrinação também estava começando só que pelo mar, sem caminho traçado, nem reta de chegada.
Como dizia o poeta Antonio Machado em Cantares:
“Tudo passa e tudo fica
porém o nosso é passar,
passar fazendo caminhos
caminhos sobre o mar

Caminhante, são tuas pegadas
o caminho e nada mais;
caminhante, não há caminho,
se faz caminho ao andar”

http://zezepina.utopia.com.br/poesialatina/html/poesia041.html

Adam and Luana

Tuesday, February 17th, 2009

Adam and Luana

Upload feito originalmente por The Limas

Adam is hoping to teach us how to fish. So far…nothing!

Lembrando do primeiro ano no mar

Tuesday, February 17th, 2009

Começamos a nossa viagem na França, em Les Sables d`Olonne. A visão das claras areias do litoral francês marcaram o início da nossa aventura. Nosso amigo Adam, grande velejador que já havia navegado da Inglaterra até a Nova Zelândia, resolveu embarcar conosco para nos dar o apoio inicial. Ele nos ajudou em todo o processo inicial. Ele acha que ele mais nos ajudou na definição dos equipamentos para preparação do barco, mas na verdade seu maior apoio foi o emocional quando ele nos encorajou a acreditar que não era tão complicado assim… A visão de impotência diante de um mar imenso é a primeira imagem que vem na cabeça de quem nunca velejou e a minha não era diferente. Mar, para o João, simbolizava liberdade e aventura, para mim, era pavor! Adam com sua simplicidade foi desmistificando cada etapa a medida que o João se tornava mais preparado e confiante. Quando ele teve que voltar, fiquei em dúvida se conseguiríamos. Erramos muito e aprendemos muito com cada erro mas nunca deixamos o medo ser mairo do que a vontade de continuar.

Por que se mede a velocidade dos barcos em nós?

Tuesday, February 17th, 2009

“Por causa de um método primitivo que media a velocidade por meio de corda marcada com nós.”

Por mais óbvia que esta resposta possa parecer, poucos param para pensar o porquê. Antes de toda estes equipamentos sofisticados, os navegadores precisavam avaliar o desempenho do barco para calcular o tempo de deslocamento, para comparar com a velocidade de outro barco e para mensurar a sua performance nas diversas condições.

“Os primeiros barcos a viajar em alto-mar eram dotados de uma espécie de velocímetro bastante primitivo. Consistia em uma corda com uma das extremidades amarrada numa espécie de prancha pesada de madeira, e a outra a um cilindro, também de madeira. Essa corda era marcada com nós em intervalos regulares de 14,3 metros. Quando o barqueiro desejava saber a velocidade da embarcação, a prancha com a corda atada era lançada ao mar.

Com o barco em movimento, a água freava a prancha, o que fazia com que a corda, amarrada ao cilindro que permanecia no barco, fosse desenrolando. Com a ajuda de um relógio de areia, o barqueiro observava quantos nós se desenrolavam em um determinado período de tempo.

Estava definida a velocidade. Atualmente, esse método rudimentar não é mais usado, mas a palavra nó continua a ser utilizada para a medição da velocidade dos barcos. Um nó, nos dias atuais, equivale a uma milha náutica, ou 1,852 quilômetros, por hora.”

fonte: Revista Superinteressante